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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Mensagem Espírita - A Compreensão em Seu Coração - Site Gotas de Paz

A Compreensão em Seu Coração

.
Quando compreendemos nossa vida, nossas dificuldades, nossos problemas,
nossas escolhas, nossas amizades, nossos amigos, nossa família
e até aqueles que achamos ser nossos inimigos, colocamos em pratica
a benevolência e o discernimento, instalamos em nosso coração
um sentimento grandioso que é a Compreensão.
Se tivermos a capacidade de compreender todas as nossas dificuldades
e problemas, estamos colocando em prática a resignação
e quando compreendermos nossas escolhas e todas as pessoas que nos
cercam sem colocar o julgamento de suas ações, é porque realmente
estamos semeando o amor ao próximo
e a Caridade incondicional em nosso coração.
Ainda não somos perfeitos, compreendemos pouco da vida,
temos que nos empenhar diariamente para realmente compreendermos
os designos de Deus em nossa vida.
Compreendemos os seus recados quando não é conosco,
sempre temos uma palavra ao outro, e quando passamos por dificuldades
nos entregamos ao pessimismo e a angustia, não temos a compreensão
e a resignação como nossos amigos.
Sabemos que quando temos a compreensão em nós, nosso coração
fica mais aliviado e pode doar muito mais e principalmente nos dá
a sensação de estarmos caminhando corretamente
e buscando o caminho do bem.
Procuremos então todos juntos, verificar se em nossos corações
temos a Compreensão verdadeira e acima de qualquer julgamento,
desta forma estaremos hoje procurando tirar de nós aqueles
sentimentos que nos levam a incompreensão e as mágoas tão maléficas
para nossa saúde física e espiritual.
Fonte Site Gotas de Paz

Grupo de Estudos Espíritas On-line CEACLUZ - Obras Básicas - O Livro dos Médiuns - 09.06.

 
Grupo de Estudos Espíritas On-line CEACLUZ
Obras Básicas - 4º Tema
O Livro dos Médiuns
O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL
7             Se a crença nos Espíritos e nas suas manifestações fosse uma concepção isolada, produto de um sistema, poderia, com certa razão, ser considerada ilusão; mas nos digam, então, por que é encontrada tão clara entre todos os povos antigos e modernos, nos livros santos de todas as religiões conhecidas? Alguns críticos dizem: é porque o homem sempre amou o maravilhoso em todos os tempos. “Então, o que é maravilhoso para vós?” “Maravilhoso é o sobrenatural.” “O que entendeis por sobrenatural?” “O que é contrário às leis da natureza é sobrenatural.” “Então deveis conhecer tão bem essas leis que julgais possível fixar um limite ao poder de Deus? Pois bem! Então provai que a existência dos Espíritos e suas manifestações são contrárias às leis da natureza; que não é nem pode ser uma dessas leis.” Examinai a Doutrina Espírita e vede se o seu encadeamento não tem todos os caracteres de uma lei admirável, que resolve tudo o que as filosofias não puderam resolver até o momento. O pensamento é um dos atributos do Espírito; a possibilidade que ele tem de agir sobre a matéria, de impressionar nossos sentidos e, por conseguinte, de transmitir seu pensamento, resulta, se podemos nos exprimir assim, de sua constituição fisiológica; portanto, não há no fato nada de sobrenatural, nada de maravilhoso. Que um homem morto, e bem morto, reviva corporalmente, que seus membros dispersos se reúnam para formar novamente o corpo, isso sim seria o maravilhoso, o sobrenatural, o fantástico; isso seria contrário a Lei, que Deus somente pode realizar por um milagre; mas não há nada semelhante na Doutrina Espírita.
8             Entretanto, havereis de dizer, “admitis que um Espírito pode erguer uma mesa e mantê-la no espaço sem ponto de apoio”; não é isso contrário a lei da gravidade? Sim, da lei conhecida; mas será que a natureza disse a sua última palavra? Antes que se tivesse experimentado a força ascensional de certos gases, quem diria que uma máquina pesada, levando muitos homens, pudesse se erguer do chão e superar a força de atração? Aos olhos de pessoas simples, isso não deve parecer maravilhoso, diabólico? Aquele que tivesse proposto, há séculos, transmitir um telegrama, uma mensagem, a 3.300 quilômetros e receber a resposta em segundos teria passado por louco; se o tivesse feito, teriam dito que era coisa do diabo, porque apenas o diabo seria capaz de agir tão rapidamente. Por que um fluido desconhecido não teria a propriedade, nessas circunstâncias, no caso da mesa que se ergue, de contrabalançar o efeito da gravidade, como o hidrogênio contrabalança o peso do balão? Notemos isso de passagem, é uma comparação, e não uma assimilação, unicamente para mostrar, por pontos de semelhança, que o fato não é impossível. Acontece que foi precisamente quando os sábios, na observação dos fenômenos espíritas, quiseram proceder pelo caminho da assimilação que eles se enganaram. Contudo, o fato está aí; todas as negações não poderão fazer com que ele deixe de existir, porque para nós negar não é provar. Não tem nada de sobrenatural, é tudo o que podemos dizer no momento.
9             Se o fato está constatado, dirão, nós o aceitamos; aceitamos até mesmo a causa que o origina, um fluido desconhecido; mas e a intervenção dos Espíritos? Isso é maravilhoso, sobrenatural.
Aqui seria preciso toda uma demonstração sem sentido e, aliás, repetitiva, pois sobressai em todo ensinamento. Entretanto, para resumi-la em algumas palavras, diremos que a teoria está fundada sobre o seguinte princípio: todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente. Do ponto de vista da prática, diremos que os fenômenos espíritas, tendo dado provas de inteligência, hão de ter sua causa fora da matéria; que essa inteligência não sendo a dos assistentes, como se comprovou, deve estar fora deles; uma vez que não se via o ser agindo, era, portanto, um ser invisível. Foi assim que, de observação em observação, se chegou a conhecer que esse ser invisível, ao qual se deu o nome de Espírito, não era outro senão a alma dos que viveram corporalmente, aos quais a morte despojou de seu grosseiro corpo físico, deixando-lhes apenas um envoltório etéreo, invisível em seu estado normal. Eis, assim, o maravilhoso e o sobrenatural reduzidos à sua expressão mais simples. Uma vez constatada a existência de seres invisíveis, sua ação sobre a matéria resulta da natureza de seu envoltório fluídico; é uma ação inteligente, visto que, ao morrer, deixaram o corpo, mas conservaram a inteligência, que é sua essência. Nisso está a chave de todos esses fenômenos considerados erroneamente sobrenaturais. A existência dos Espíritos não é, em vista disso, um sistema preconcebido, uma hipótese imaginada para explicar os fatos; é o resultado de observações e a conseqüência natural da existência da alma; negar essa causa é negar a alma e seus atributos. Se aqueles que pensam poder dar a esses efeitos inteligentes uma solução mais racional, podendo principalmente explicar a razão de todos os fatos, queiram fazê-lo, e então se poderá discutir o mérito de cada um.
10           Aos olhos dos que consideram a matéria a única força da natureza, tudo o que não pode ser explicado pelas leis da matéria é maravilhoso ou sobrenatural, e maravilhoso é, para eles, sinônimo de superstição. Partindo dessa idéia, a religião, fundada sobre um princípio imaterial, seria uma teia de superstições; não ousam dizê-lo bem alto, mas o dizem à “boca-pequena”, e acreditam salvar as aparências ao concordar que é preciso uma religião para o povo e para tornar as crianças boazinhas e educadas; acontece que de duas coisas uma: ou o princípio religioso é verdadeiro ou é falso; se é verdadeiro, é para todos; se é falso, não é melhor para os ignorantes do que para as pessoas esclarecidas.
11 Os que atacam o Espiritismo em nome do maravilhoso se apóiam geralmente no princípio materialista, uma vez que, negando todo efeito extramaterial, negam, por isso mesmo, a existência da alma; sondai o fundo de seu pensamento, estudai bem o sentido de suas palavras e vereis quase sempre esse princípio, categoricamente formulado ou camuflado sob as aparências de uma pretensa filosofia racional com que o encobrem. Ao rejeitar por conta do maravilhoso tudo o que decorre da existência da alma, estão rigorosamente conseqüentes consigo mesmos; não admitindo a causa, não podem admitir os efeitos; daí haver entre eles uma opinião preconcebida que os torna incapazes de um julgamento imparcial do Espiritismo, visto que partem do princípio de negar tudo o que não é material. Quanto a nós, pelo fato de admitirmos os efeitos que são a conseqüência da existência da alma, será que aceitamos todos os fatos qualificados de maravilhosos, que somos defensores de todos os sonhadores, que somos adeptos de todas as utopias*, de todos os sistemas excêntricos e estranhos? Seria preciso conhecer bem pouco o Espiritismo para supor dessa maneira; mas nossos adversários não pensam assim. A obrigação de conhecer aquilo de que falam é o menor de seus cuidados. Para eles, o maravilhoso é absurdo; o Espiritismo se apóia nos fatos maravilhosos, logo é absurdo: é para eles um julgamento sem apelação, sem contestação. Acreditam apresentar um argumento sem réplica1 quando, após terem feito pesquisas eruditas sobre os convulsionários de Saint-Médard2, os calvinistas de Cévennes3 ou as religiosas de Loudun4, chegaram à conclusão de fraude indiscutível que ninguém contesta; mas essas his-tórias têm fundamento no Espiritismo? Os espíritas alguma vez negaram que o charlatanismo havia explorado alguns fatos em seu proveito, que a imaginação havia criado muitos deles e que o fanatismo tivesse exagerado muito? O Espiritismo não é solidário com as extravagâncias que se pode cometer em seu nome, assim como a verdadeira ciência não o é com os abusos da ignorância nem a verdadeira religião não o é com os excessos do fanatismo. Muitos críticos apenas comparam o Espiritismo aos contos de fadas e lendas populares, que são ficções: seria como julgar a história pelos romances históricos ou as tragédias.
12           Em lógica elementar, para discutir um assunto, é preciso conhe-cê-lo, porque a opinião de um crítico somente tem valor quando ele fala com perfeito conhecimento de causa; somente assim sua opinião, ainda que contrária, pode ser levada em consideração; mas qual é seu peso quando analisa uma matéria que não conhece? O verdadeiro crítico deve provar não somente erudição, mas também um saber profundo no que diz respeito à causa em estudo, um julgamento sadio e uma imparcialidade a toda prova, senão o primeiro violinista que aparecesse poderia achar-se no direito de julgar Rossini, e um pintor de paredes, de censurar Rafael.
13           O Espiritismo não aceita todos os fatos considerados maravilhosos ou sobrenaturais; longe disso; ele demonstra a impossibilidade de um grande número deles e o ridículo de certas crenças que são, propriamente falando, superstições. É verdade que, naquilo que ele admite, há coisas que para os incrédulos são puramente do maravilhoso, ou seja, da superstição. Que seja. Mas então que se discutam apenas esses pontos, pois sobre os outros não há nada a dizer, e pregais em vão. Ao atacar o que ele mesmo refuta, provais vossa ignorância do assunto, e vossos argumentos caem no vazio. Haverão de perguntar: Mas até onde vai a crença no Espiritismo? Lede, observai e o sabereis. Toda ciência se adquire somente com o tempo e o estudo; acontece que o Espiritismo, que toca as questões mais graves da filosofia, em todos os ramos da ordem social, que compreende ao mesmo tempo o homem físico e o homem moral, é por si só toda uma ciência, uma filosofia, que não pode ser apreendida em algumas horas, como qualquer outra ciência. Haveria tanta infantilidade em ver todo o Espiritismo confinado a uma mesa giratória como em ver toda física resumida a alguns jogos infantis. Para todos os que não querem ficar na superfície, não são horas, mas meses e anos que serão precisos para sondar o conjunto, todo o edifício. Que se julgue, diante disso, o grau de saber e o valor da opinião dos que atribuem a si o direito de julgar por terem visto uma ou duas experiências como distração ou passatempo. Dirão, sem dúvida, que não têm tempo disponível para dar atenção a esse estudo; nada os obriga a isso; mas, quando não se tem tempo de aprender uma coisa, não se deve falar sobre ela, e ainda menos julgá-la, se não quiser ser tachado de leviandade; acontece que, quanto mais se ocupa uma posição elevada na ciência, menos se é desculpável por tratar levianamente de um assunto que não se conhece.
14 Podemos resumir da seguinte maneira o que acabamos de expor:
1o) todos os fenômenos espíritas têm como princípio a existência da alma, sua sobrevivência ao corpo e suas manifestações;
2o) esses fenômenos, estando fundados numa lei da natureza, não têm nada de maravilhoso nem de sobrenatural, no sentido vulgar destas palavras;
3o) muitos fatos são considerados sobrenaturais por não se lhes conhecer a causa; o Espiritismo, ao lhes definir a causa, os traz para o domínio dos fenômenos naturais;
4o) entre os fatos qualificados de sobrenaturais, há muitos que o Espiritismo demonstra classificando-os entre as crenças supersticiosas;
5o) ainda que o Espiritismo reconheça em muitas das crenças populares um fundo de verdade, não aceita de modo algum como fatos espíritas histórias fantásticas criadas pela imaginação;
6o) julgar o Espiritismo pelos fatos que ele não admite é dar prova de ignorância e emitir uma opinião sem valor;
7o) a explicação dos fatos admitidos pelo Espiritismo, suas causas e conseqüências morais constituem toda uma ciência e toda uma filosofia, que requer um estudo sério, perseverante e aprofundado, e
8o) o Espiritismo somente pode considerar crítico sério aquele que haja visto tudo, estudando e aprofundando-se, com a paciência e a perseverança de um observador consciencioso; que soubesse tanto sobre o assunto quanto o mais esclarecido dos seus estudiosos; que tivesse alcançado seus conhecimentos em outros lugares que não nos romances da ciência; a quem não se poderia apresentar nenhum fato que ele não conhecesse, nenhum argumento sobre o qual não tivesse meditado; que contestasse não por meras negações, mas com argumentos mais convincentes; que pudesse, enfim, comprovar uma causa mais lógica aos fatos averiguados. Esse crítico ainda está por vir.
15 Mencionada a palavra milagre, uma breve consideração sobre o assunto não estará deslocada neste capítulo sobre o maravilhoso.
No seu significado primitivo e pela sua etimologia, a palavra milagre significa coisa extraordinária, coisa admirável de ver; mas esta palavra, como muitas outras, se degenerou do sentido original, e hoje se diz (segundo a Academia) um ato do poder divino contrário às leis comuns da natureza. Este é, de fato, seu significado usual, e é somente por comparação e de maneira figurada que se aplica às coisas comuns que nos surpreendem e cuja causa é desconhecida. Não é de modo algum nossa intenção examinar se Deus pôde julgar útil, em algumas circunstâncias, abolir as leis estabelecidas por Ele mesmo; nosso objetivo é demonstrar unicamente que os fenômenos espíritas, por mais extraordinários que possam parecer, não anulam de modo algum essas leis, não têm nenhum caráter miraculoso nem são maravilhosos ou sobrenaturais. O milagre não se explica; os fenômenos espíritas, ao contrário, se explicam de modo racional; não são, portanto, milagres, mas simples efeitos que têm sua razão de ser nas leis gerais. O milagre ainda tem uma outra característica: o de ser raro e isolado. Acontece que, a partir do momento em que um fato se reproduz, por assim dizer, à vontade e por diversas pessoas, não pode ser considerado um milagre.
A ciência todos os dias faz milagres aos olhos dos ignorantes; eis porque antigamente os que sabiam mais que as pessoas comuns eram considerados bruxos e, como se acreditava que toda ciência sobre-humana vinha do diabo, eram queimados. Hoje estamos muito mais civilizados; contentam-se em enviá-los aos manicômios.
Que um homem realmente morto, como dissemos, seja trazido de volta à vida por intervenção divina, eis aí um verdadeiro milagre, porque isso é contrário às leis da natureza. Mas, se esse homem tiver apenas a aparência da morte, se ainda há nele um resto de vitalidade latente e se a ciência, ou uma ação magnética, conseguir reanimá-lo, será para as pessoas esclarecidas um fenômeno natural, mas, aos olhos de um ignorante, o fato passará por miraculoso, e o autor da façanha será perseguido a pedradas ou venerado, conforme o caráter dos indivíduos. Que no meio de certo campo magnético um físico lance um papagaio magnetizado e faça atrair para ele um raio, esse novo Prometeu5 será certamente visto como possuidor de um poder diabólico; diga-se de passagem, Prometeu nos parece ter singularmente precedido Franklin6; mas Josué7, parando o movimento do Sol, ou antes da Terra, operou verdadeiro milagre, porque não conhecemos nenhum magnetizador dotado de tão grande poder para operar esse prodígio. De todos os fenômenos espíritas, um dos mais extraordinários é, sem dúvida, o da escrita direta, que demonstra do modo mais evidente a ação das inteligências ocultas; mas o fato do fenômeno ser produzido por seres invisíveis não é mais miraculoso do que todos os outros fenômenos que se devem aos Espíritos, porque esses seres que povoam os espaços são um dos poderes da natureza, cuja ação é incessante sobre o mundo material e sobre o mundo moral.
O Espiritismo, ao nos esclarecer sobre esse poder, nos dá a chave para uma multidão de coisas inexplicadas e inexplicáveis por qualquer outro meio que, em tempos antigos, passaram por prodígios, milagres; ele revela, como no magnetismo, uma lei, senão desconhecida, pelo menos mal compreendida; ou, melhor dizendo, uma lei da qual se conheciam os efeitos, visto que produzidos em todos os tempos, mas não se conhecia a lei, e foi a ignorância dessa lei que gerou a superstição. Conhecida a lei, o maravilhoso desaparece, e os fenômenos entram na ordem das coisas naturais. Eis por que os espíritas não fazem mais milagres ao fazer uma mesa girar ou os mortos escreverem do que o médico ao reviver um moribundo ou o físico ao atrair um raio. Aquele que pretendesse, com a ajuda dessa ciência, fazer milagres seria um ignorante em relação ao assunto ou um farsante.
16 Os fenômenos espíritas, do mesmo modo que os fenômenos magnéticos, antes que se tivesse conhecido a sua causa, devem ter sido considerados prodigiosos; acontece que, da mesma forma que os descrentes, os muito inteligentes, os donos da verdade, que julgam ter o privilégio exclusivo da razão e do bom senso, não acreditam que uma coisa seja possível quando não a compreendem; eis porque todos os fatos considerados milagres são motivo para suas zombarias; como a religião contém um grande número de fatos desse gênero, não acreditam na religião, e daí para a incredulidade absoluta é apenas um passo. O Espiritismo, ao explicar a maior parte desses fatos, lhes dá uma razão de ser. Ele vem, portanto, em ajuda à religião, ao demonstrar a possibilidade de certos fatos que, por não terem mais o caráter miraculoso, não são menos extraordinários, e Deus não é nem menor nem menos poderoso por não ter abolido suas leis. De quantos gracejos as levitações de São Cupertino8 não foram alvo! Acontece que a levitação dos corpos pesados é um fato explicado pelo Espiritismo; nós, pessoalmente, fomos testemunhas oculares, e o senhor Home9, assim como outras pessoas de nosso conhecimento, repetiu muitas vezes o fenômeno produzido por São Cupertino. Portanto, esse fenômeno enquadra-se na ordem das coisas naturais.
17 No número dos fatos desse gênero, é preciso pôr em primeiro lugar as aparições, por serem mais freqüentes. A de Salette10, que divide até mesmo o clero, não tem nada de estranho para nós. Seguramente, não podemos afirmar que o fato aconteceu, por não possuirmos a prova material; mas, para nós, é possível, uma vez que milhares de fatos semelhantes e recentes são de nosso conhecimento; acreditamos nisso não somente porque conhecemos fatos semelhantes, mas porque sabemos perfeitamente a maneira como se produzem. Quem quiser se reportar à teoria das aparições, da qual trataremos mais adiante, verá que esse fenômeno é tão simples e tão autêntico quanto uma multidão de fenô-menos físicos que se contam como prodigiosos apenas por falta de se ter a chave que os explique. Quanto à personagem que se apresentou a Salette, é outra questão; sua identidade não foi de modo algum demons¬trada; simplesmente admitimos que uma aparição pode ter acontecido, o resto não é de nossa competência; é respeitável que cada qual possa guardar suas convicções a respeito; o Espiritismo não tem que se ocupar disso; dizemos somente que os fenômenos espíritas nos revelam novas leis e nos dão a chave para uma multidão de coisas que pareciam sobrenaturais; se alguns dos fatos que passaram por miraculosos encontram nele uma explicação lógica, é motivo suficiente para não se apressar a negar o que não se compreende.
Os fenômenos espíritas são contestados por algumas pessoas precisamente porque parecem estar além da lei comum e por elas não os saberem explicar. Dai-lhes uma base racional e a dúvida cessa. O esclarecimento no século dezenove, de muita conversa inútil, é um poderoso motivo de convicção; temos visto todos os dias pessoas que não foram testemunhas de nenhum fato espírita, que não viram nenhuma mesa girar, nenhum médium escrever e que estão tão convencidas quanto nós unicamente porque leram e compreenderam. Se acreditássemos apenas no que os olhos podem ver, nossas convicções se reduziriam a bem pouca coisa.
* Utopia: projeto irrealizável; quimera; fantasia (N.E.).
1              - Allan Kardec refere-se aqui a questões que muitas vezes foram trazidas à baila pelos contestadores dos fatos espíritas, mas que a própria Doutrina Espírita não aceita, que contesta e esclarece (N.E.).
2              - Em 1729 Paris foi sacudida por uma febre de milagres que estariam ocorrendo no cemitério de Saint-Médard junto ao túmulo do padre François de Paris, desencarnado dois anos antes e que em vida, muito humilde e caridoso, havia se dedicado aos pobres. Pertencia o padre François à facção dos jansenistas, que pregavam uma vida austera e de grande rigor moral e que mantinham muitos pontos discordantes com o Vaticano. Os milagres ocorriam no túmulo do referido padre e na área que o circundava; as pessoas chegavam a fazer com a terra à volta de sua sepultura um beberragem para se curar das doenças. Esses fatos acabaram por causar um terrível celeuma, porque as coisas degeneraram para o fanatismo e o acirramento dos ânimos. Por fim, depois de investigar o caso, a autoridade clerical de Paris proibiu as visitas ao túmulo do padre e a entrada de pessoas no cemitério, e no portão se lia afixado o seguinte aviso: Proibe-se a Deus, em nome do rei, que neste lugar faça milagres (N.E.).
3              - Os calvinistas (desde 1685) haviam sido declarados hereges pela Igreja Romana. Na França, chamados huguenotes, depois de muitas perseguições, se refugiaram na região montanhosa de Cévennes, no centro da França, onde, organizados, ofereceram heróica resistência, chegando a lutar com paus e pedras contra os exércitos de nobres católicos comandados por Luis XIV. Entre eles ocorreram fatos mediúnicos extraordinários, mas que com o tempo, premidos pelas circunstâncias, acabaram por redundar em exagero, fanatismo e mistificações de vários gê-neros. Os calvinistas acabaram trucidados (1713) da mais cruel e violenta maneira que se pode imaginar (N.E.).
4              - Entre as religiosas de Loudun surgiram fatos mediúnicos admiráveis que causaram grande agitação, mas que logo caminharam para a exaltação fanática e a mistificação, como ficou comprovado (N.E.).
8              - São Cupertino: tinha em elevado grau a mediunidade de levitação, que exercia com muita facilidade (N.E.).
9              - Daniel Dunglas Home (1833-1886): extraordinário médium escocês. Exibiu em todo o mundo a sua mediunidade de levitação em espetáculos muito concorridos e submeteu-a a testes e análises de muitos cientistas, entre eles William Crookers, em 1869, em Londres. Sir Arthur Conan Doyle (criador de Sherlock Holmes), na sua obra História do Espiritismo (Editora Pensamento) dedica-lhe um capítulo, em que se pode aquilatar um perfil do grande médium D. D. Home (N.E.).
10            - Salette: refere-se à aparição de Maria Santíssima a duas crianças em 1846 na França –  A Virgem de La Salette (N.E.).

Mensagem Espírita - Perdas - Site Hermance Dufaux


Perdas

“Mas ajuntai tesouros no céu...” - Mateus, 6:20

Mesmo guardando prudência e moderação, serás convocado ao aprendizado do desapego.

Na condição de usufrutuário passageiro das bênçãos que te felicitam, não obterás certidão de posse sobre tais recursos.

Não existem perdas reais no universo, porque nada pertence a ninguém.

Quando a vida te convidar às necessárias renovações, ainda que sofras a dolorosa cirurgia do desprendimento, mantém-te no controle de ti mesmo.

Hoje é o filho que muda, amanhã um vínculo que parte, depois é um bem surrupiado, mais além um emprego que é retirado.

Não são perdas, são mudanças.

Guarda calma e equilíbrio para que entendas o “recado” de Deus a ti endereçado nas alterações que a existência te conclama.

As dores das perdas são preciosos receituários contra as ilusões que carregamos.

Ermance Dufaux
Mensagem psicografada pelo médium Wanderley Soares de Oliveira, em 17 de novembro 2007, na SED – Sociedade Espírita Ermance Dufaux, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Fonte: Site Ermance Dufaux

Artigo Espírita - A Natureza Humana - Site Doutrina Espírita Luz da Razão



 
A Natureza Humana

Um erro psicológico de funestas conseqüências domina a ortodoxia oficial. Pretendem que o homem seja visceralmente mau, intrinsecamente perverso e, por natureza, corrupto. Semelhante conceito é adotado, salvo raras exceções, por sociólogos, juristas, escritores, filósofos, cientistas e, o que é de admirar, pela clerezia de vários credos religiosos. Que os materialistas façam tal conceito do homem, compreende-se; mas que sejam acompanhados pelos crentes e até pelas autoridades das religiões deístas é inominável, inconcebível quase.

Como é possível que o homem, criado à imagem e semelhança de Deus, seja visceralmente mau? Como se compreende que o Supremo Arquiteto haja produzido obras intrinsecamente imperfeitas e defeituosas? Semelhante despautério precisa combatido. Lavremos, em nome da fé que professamos, veemente protesto contra a tremenda heresia.

O homem é obra inacabada. Entre obra inacabada e obra defeituosa vai um abismo de distância. Os Espíritos trazem consigo os germens latentes do bem e do belo. A centelha divina, oculta embora, como o diamante no carvão, refulge em todos eles. O mal que no homem se verifica é extrínseco e não intrínseco. No seu íntimo cintila o divinal revérbero da face do Criador. Os defeitos, senões e falhas são frutos da ignorância, da fraqueza e do desequilíbrio de que a Humanidade ainda se ressente. Removidas tais causas, a decantada corrupção humana desaparecerá. Deus não cria Espíritos como os escultores modelam estátuas. As obras de Deus são vivas, trazem si mesmas as possibilidades de autodesenvolvimento. A vida implica movimento e crescimento. “Em cada átomo do Universo está inscrita esta legenda: para a frente e para o alto.” Os atributos de Deus estão, dadas as devidas condições de relatividade, palpitando em cada criatura. Apelando-se para as faculdades profundas do Espírito, logra-se o despertar da célica natureza que nele dorme, atestando a origem donde proveio. O problema do mal resolve-se pela educação, compreendendo-se por educação o apelo dirigido aos potenciais do espírito. Educar é salvar. Através do trabalho ingente da educação, consegue-se transformar as trevas em luz, o vício em virtude, a loucura em bom senso, a fraqueza em vigor. Tal é em que consiste a conversão do pecador.

Jesus foi o maior educador que o mundo conheceu e conhecerá. Remir ou libertar só se consegue educando. Jesus acreditava piamente na redenção do ímpio. O sacrifício do Gólgota é a prova deste asserto. Conhecedor da natureza humana em suas mais íntimas particularidades, Jesus sabia que o trabalho da redenção se resume em acordar a divindade oculta na psique humana. Sua atuação se efetuou sempre nesse sentido. Jamais o encontramos abatendo o ânimo ou aviltando o caráter do pecador, fosse esse pecador um ladrão confesso, fosse uma adúltera apupada pela turbamulta. “Os sãos não precisam de médicos, mas, sim, os doentes”; tal o critério que adotava. Invariavelmente agia sobre algo de puro e de incorruptível que existe no Espírito do homem.

Firmado em semelhante convicção, sentenciava com autoridade: “Sede perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.” Esta sentença só podia ser proferida por quem não alimentava dúvidas sobre os destinos humanos. Interpelado sobre a vinda do reino de Deus, retruca o Mestre: “O reino de Deus não virá sob manifestações exteriores; porque o reino de Deus está dentro de vós.” O apóstolo das gentes, inspirado em idêntico conceito a respeito do homem, proclama igualmente: “O templo de Deus, que sois vós, é santo. Ignorais, acaso, que sois santuários de Deus, e que o Espírito divino habita em vós?”

O mal é uma contingência. Em realidade significa apenas ausência do bem, como as trevas representam somente ausência de luz. O mal e a ignorância são transes ou crises que o Espírito conjurará fatalmente, mediante o despertar de suas forças latentes. A prova cabal e insofismável de que a natureza intima do homem é divina, e, por conseguinte, incompatível com o mal, está na faculdade da consciência. Que é a consciência, na acepção moral, senão o “divino” cuja ação se faz sentir condenando o mal e aplaudindo o bem? Por que razão o homem jamais consegue iludir ou corromper a consciência própria? Ele pode, no uso do relativo livre arbítrio que frui, desobedecer-lhe, agir em contrário aos seus ditames, porém nunca abafará seus protestos, nunca conseguirá fazê-la conivente de inquidades e crimes. A consciência é o juiz íntegro cuja toga não se macula, e cuja sentença ouviremos sempre, quer queiramos, quer não, censurando nossa conduta irregular. Esse juiz, essa voz débil, mas insopitável, é a centelha divina que refulge através da escurião de nossa animalidade, é o diamante que cintila a despeito da negrura espessa do rude invólucro que o circunda.

O maior bem que se pode fazer ao homem é educá-lo. Os educadores, cientes e conscientes de seu papel, são os verdadeiros benfeitores da Humanidade. Cooperar pela ressurreição do Espírito é proporcionar-lhe o sumo bem; nada mais valioso se lhe pode fazer. Tal a missão do Cristo de Deus neste mundo. Por esse ideal ele se deu em holocausto no patíbulo da cruz. A Humanidade precisava de um modelo, de uma obra acabada que refletisse em sua plenitude a majestade divina. Esse arquétipo nos foi dado no Filho de Deus. Os modelos devem ser imitados. Para isso se destinam. Assim compreendia Paulo de Tarso, consoante se infere desta sua asserção: “…tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos (crentes) até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, a estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude do Cristo”.

A larga parábola que temos a percorrer em demanda do Modelo é obra de educação, educação que se transforma em auto-educação.

Kant, o filósofo, assim compreende a educação: “Desenvolver no indivíduo toda a perfeição de que ele é suscetível: tal o fim da educação.”

Pestalozzi, o pedagogista consumado, diz: “Educar é desenvolver progressivamente as faculdades espirituais do homem.”

João Locke, grande preceptor, se expressa desta maneira sobre o assunto: “Educar é fazer Espíritos retos, dispostos a todo momento a não praticarem coisa alguma que não seja conforme à dignidade e à excelência de uma criatura sensata.” Lessing, autoridade não menos ilustre, compara a obra da educação à obra da revelação, e diz: “A educação determina e acelera o progresso e o aperfeiçoamento do homem.”

Frõebel, o criador do “Kindergarten” (Jardim da Infância), afirmava que em toda criança existe a possibilidade de um grande homem.

Denis, o incomparável apóstolo do Espiritismo, proferiu esta frase lapidar: “A educação do Espírito é o senso da vida.”

Diante do que aí fica, será preciso acrescentar que o objetivo da religião é educar o Espírito? “Se o sal tornar-se insípido, para que servirá?

Como Jesus, os educadores, dignos de tal nome, crêem firmemente na reabilitação dos maus. Os novos apóstolos do Cristianismo não virão dos seminários, mas do magistério bem compreendido e melhor sentido.

* * *

Perniciosas e desastrosas têm sido as conseqüências decorrentes do falso conceito generalizado sobre o caráter humano. Tal vesânia gerou o pessimismo que domina a sociedade. O vírus que tudo polui e conspurca, é, a seu turno, outro efeito oriundo da mesma causa. Que pretendem os industriais da cinematografia exibindo películas dissolventes e até indecorosas? E os literatos e romancistas abarrotando as livrarias de obras frívolas, enervantes e imorais? E o empresário teatral com suas comédias corriqueiras, impudicas, eivadas de obscenidades? E os musicistas com seus “jazzs”, “fox trots” e maxixes? E os costureiros e modistas com sua indumentária que peca pela falta de decência e decoro? Todos eles, convencidos de que a natureza humana é essencialmente corrupta, estão atuando através da corrupção. Visando a lucros, imaginam que o meio mais seguro de êxito seja aquele. No entanto, se o cinema se transformasse, de escola do vício em escola da virtude, deixaria de existir por isso? Respondemos pela negativa, sem titubear. Teria concorrência melhor e maior, como há leitores para os bons livros, como há apreciadores da arte pura.

A falsa idéia de que o êxito na cinematografia, nas artes, na indústria e no comércio só se alcança acoroçoando a maldade e a ignorância humana, é um estrabismo herético e execrável. A Teologia tem sustentado esse erro pernicioso, através dos séculos, pela palavra de seus corifeus, prejudicando seriamente a evolução da Humanidade. A Pedagogia, em seu glorioso advento, vai destroná-la desembaraçando a mente humana dessa pedra de tropeço.

A verdade está com a Pedagogia. Com a Teologia, o caos, a confusão, as trevas. Com a Pedagogia está o otimismo sadio, alegre e forte.

LIVRO:  EM TORNO DO MESTRE

AUTOR:  PEDRO DE CAMARGO (PSEUDÔNIMO DE VINICIUS)

EDITORA:  FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA

LOCAL DE EDICAÇÃO:  BRASÍLIA – DF – BRASIL / 1939

PÁGINAS:  117 ATÉ 121

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Artigo Espírita - O papel dos médiuns nas comunicações espíritas - O Refomador On-line FEB

O Livro dos Médiuns:

O papel dos médiuns nas comunicações espíritas

Allan Kardec e os Espíritos Erasto e Timóteo analisam  questões fundamentais sobre a prática mediúnica, visando aos que integram um grupo mediúnico, ou dele desejam fazer parte, no capítulo XIX de O Livro dos Médiuns. Em razão da seriedade e utilidade dos esclarecimentos, o capítulo é indicado como leitura indispensável aos espíritas interessados por essas atividades. Entre todas as ideias aí desenvolvidas duas se sobressaem e são continuamente retomadas pelos citados orientadores: o valor do conhecimento espírita e a boa conduta moral dos médiuns.

Considerações sobre o transe mediúnico – denominado de estado de crise à época de publicação do livro – assinalam o início do estudo. Por se tratar de um estado especial, o de alteração da consciência, o transe pode ser mais ou menos acentuado e conduzir à fadiga, que é reparada pelo repouso.1

Sabe-se, porém, que o desgaste energético decorrente dos transes mediúnicos é relativo, pois há médiuns que raramente apresentam fadiga, antes, durante ou após a prática mediúnica. A questão da fadiga envolve outros fatores que devem ser considerados: constituição orgânica, idade, presença/ausência de enfermidade, estilo de vida, uso de certos medicamentos etc.

      O estado de transe apresenta gradações: nos transes profundos, usuais nos sonambúlicos e nos psicógrafos mecânicos, os médiuns não se recordam dos acontecimentos ocorridos durante a transmissão da mensagem. Em  relação aos  psicógrafos mecânicos, afirma  Kardec que  “o pensamento vem depois do ato da escrita”. 2

Em oposição, o transe dos médiuns intuitivos é leve, superficial:

[...] o médium intuitivo age como faria um intérprete. Este, de fato, para transmitir o pensamento, precisa compreendê-lo e, de certo modo, apropriar-se dele, para traduzi-lo fielmente. Entretanto, esse pensamento não é seu, apenas lhe atravessa o cérebro. É exatamente este o papel do médium intuitivo. 3

Entre os dois extremos há uma ampla gradação de estados alterados da consciência.O médium semimecânico, por exemplo, apresenta aspectos do transe profundo e do transe superficial:

[...] Sente que sua mão é impulsionada contra sua vontade, mas, ao mesmo tempo, tem consciência do que escreve, à medida que as palavras se formam. 2

Outro tópico analisado no texto refere-se à participação do médium durante a transmissão do ditado mediúnico. Em princípio, tal intervenção é considerada normal dentro de um limite aceito como tolerável, no qual não se evidencie qualquer interferência no pensamento/ideias do Espírito comunicante. Assim, toda mensagem mediúnica traz o colorido da personalidade do médium.

Quando bem ajustada, essa parceria médium-Espírito define as bases da  passividade mediúnica: o médium é considerado passivo “[...] quando não mistura suas próprias ideias com as do Espírito que se comunica [...]. Seu concurso [o do médium] é sempre necessário, como o de um intermediário, mesmo quando se trata dos chamados médiuns mecânicos”. 4

Com base na orientação de Kardec de que o intermediário encarnado funciona sempre como um intérprete, mesmo em se tratando de sonâmbulos e de médiuns mecânicos, é óbvio que sempre ocorrerá alguma interferência anímica:

O Espírito do médium é o intérprete, porque está ligado ao corpo que serve para falar e por ser necessária uma cadeia entre vós e os Espíritos que se comunicam, como é preciso um fio elétrico para transmitir uma notícia a grande distância, desde que haja, na extremidade do fio, uma pessoa inteligente que a receba e transmita. 5

No que tange às aptidões especiais demonstradas por alguns médiuns – outro tema estudado no capítulo –, como: transmissão de mensagens em línguas estrangeiras, recebimento de poemas, composições musicais e desenhos etc., há o esclarecimento de que, em geral, tais médiuns adquiriram essas habilidades em existências anteriores, mesmo que na atual reencarnação não sejam ostensivamente detectadas. Entretanto, podem ser recuperadas durante a comunicação mediúnica, 6 uma vez que  “os conhecimentos adquiridos jamais são perdidos pelo Espírito”. 7 Todas essas aptidões, ensinam os orientadores espirituais, “são formas de expressão do pensamento. Os Espíritos se servem dos instrumentos que lhes oferecem mais facilidade”. 8

O mesmo princípio se aplica à aptidão de certos médiuns para movimentar  e deslocar objetos a distância. Nesta circunstância, os objetos são impregnados por fluidos especiais, os ectoplásmicos, liberados pelos médiuns, e outros retirados da Natureza e do mundo espiritual, os quais são associados e adequadamente manipulados pelos desencarnados com a finalidade de provocar a manifestação do fenômeno espírita. 9

A transmissão de mensagens, sobretudo as instrutivas, está diretamente subordinada ao conhecimento que o médium possui, que é secundado pela sua conduta moral. O conhecimento, porém, é visto como fator essencial no estabelecimento de afinidades entre os dois planos de vida:




[...] se não houver afinidade entre eles, o Espírito do médium pode alterar as respostas e assimilá-las às suas próprias ideias e inclinações. Porém, não exerce influência sobre os Espíritos comunicantes, autores da respostas. É apenas um mau intérprete. 10

Não sendo superadas as dificuldades de sintonia (afinidade) mental entre o médium e o Espírito, a comunicação pode se tornar inviável, ou, caso ocorra, não será de boa qualidade. Este tem sido um dos maiores obstáculos encontrados na prática mediúnica, especialmente se a mensagem é subscrita por Espíritos conhecidos e de notório saber. Justifica-se, assim, porque os Espíritos esclarecidos procuram

[...] o intérprete que mais simpatize com eles e que exprima com mais exatidão os seus pensamentos. Não havendo simpatia entre eles, o Espírito do médium é um antagonista que oferece certa resistência, tornando-se um intérprete de má qualidade e muitas vezes infiel. É o que acontece entre vós, quando a opinião de um sábio é transmitida por um homem estouvado ou alguém de má-fé. 11

No final do capítulo XIX, Erasto e Timóteo apresentam esclarecedora dissertação mediúnica, uma verdadeira aula que ensina como os médiuns podem se tornar bons instrumentos, exercendo com equilíbrio e sabedoria o papel que lhes cabe nas comunicações espíritas. Destacamos algumas como ilustração: 12


• [...] nos comunicamos com os Espíritos encarnados dos médiuns [...] tão só pela irradiação do nosso pensamento.

• Os nossos pensamentos não precisam da vestimenta da palavra para serem compreendidos. [...] Quer dizer que tal pensamento pode ser compreendido por tais ou quais Espíritos, conforme o adiantamento deles [...].

  Assim, quando encontramos em um médium o cérebro repleto de conhecimentos adquiridos na sua vida atual e o seu Espírito rico de conhecimentos latentes, obtidos em vidas anteriores [...] preferimos nos servir dele, porque com ele o fenômeno de comunicação se torna muito mais fácil para nós [...].

• Com um médium cuja inteligência atual ou anterior se ache desenvolvida, o nosso pensamento se comunica instantaneamente de Espírito a Espírito, graças a uma faculdade peculiar à essência mesma do Espírito. Nesse caso, encontramos no cérebro do médium os elementos apropriados a dar ao nosso pensamento a vestimenta da palavra que lhe corresponda, e isto quer o médium seja intuitivo, semimecânico ou inteiramente mecânico. [...]

• É por isso que, seja qual for a  diversidade dos Espíritos que se comunicam com um médium, os ditados que este obtém, ainda que procedendo de Espíritos diferentes, trazem, quanto à forma e ao colorido, o cunho que lhe é pessoal. [...]

Referências:

1 KARDEC, Allan.  O livro dos médiuns. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 19, it. 223. 
2 ______. ______. Cap. 15, it. 181. 
3 ______. ______. It. 180, p. 282. 
4 ______. ______. Cap. 19, it. 223, subit. 10. 
5 ______. ______. Subit. 6. 
6 ______. ______. Subit. 17. 
7 ______. ______. Subit. 20. 
8 ______. ______. Subit. 21. 
9 ______. ______. Subit. 12 a 14. 

10 ______. ______. Subit. 7. 

11 ______. ______. Subit. 8.

12 ______. ______. It. 225, p. 352-353.

Fonte: Site Reformador On-line

Grupo de Estudos Espíritas On-line CEACLUZ - Obras Básicas - O Livro dos Espíritos - 15.06.2011


Grupo de Estudos Espíritas On-line CEACLUZ

Obras Básicas  - 5º Tema

O Livro dos Espíritos

ALLAN KARDEC
VII – A CIÊNCIA E O ESPIRITISMO

A oposição das corporações científicas é, para muita gente, senão uma prova, pelo menos uma forte presunção contrária. Não somos dos que levantam a voz contra os sábios, pois não queremos dar motivo a nos chamarem de estouvados; temo-los, pelo contrário, em grande estima e ficaríamos muito honrados se fôssemos contados entre eles. Entretanto, sua opinião não poderia representar, em todas as circunstâncias, um julgamento irrevogável.

Quando a Ciência sai da observação material dos fatos e trata de apreciá-los e explicá-los, abre-se para os cientistas o campo das conjecturas: cada um constrói o seu sistemazinho, que deseja fazer prevalecer e  sustenta encarniçadamente. Não vemos diariamente as opiniões mais contraditórias serem preconizadas e rejeitadas, repelidas como erros absurdos e depois proclamadas como verdades incontestáveis? Os fatos, eis o verdadeiro critério dos nossos julgamentos, o argumento sem réplica. Na ausência dos fatos, a dúvida é a opinião do homem prudente.

No tocante às coisas evidentes, a opinião dos sábios é justamente digna de fé, porque eles as conhecem mais e melhor que o vulgo. Mas no tocante a princípios novos, a coisas desconhecidas, a sua maneira de ver não é mais do que hipotética, porque eles não são mais livres de preconceitos que os outros. Direi mesmo que o sábio terá, talvez, mais preconceitos que qualquer outro, pois uma propenso natural o leva a tudo subordinar ao ponto de vista de sua especialidade: o matemático não vê nenhuma espécie de prova, senão através de uma demonstração algébrica, o químico relaciona tudo com a ação dos elementos, e assim por diante. Todo homem que se dedica a uma especialidade escraviza a ela as suas idéias. Afastai-o do assunto e ele quase sempre se confundirá, porque deseja tudo submeter ao seu modo de ver; é esta uma conseqüência da fragilidade humana. Consultarei, portanto, de bom grado e com absoluta confiança, um químico sobre uma questão de análise; um físico sobre a força elétrica; um mecânico sobre a força motriz; mas eles me permitirão, sem que isto afete a estima que lhes devo por sua especialização, que não tenha em melhor conta a sua opinião negativa sobre o Espiritismo do que a de um arquiteto sobre questões de música.

As  ciências  comuns  se  apóiam  nas  propriedades  da  matéria,  que  pode  ser experimentada e manipulada à vontade; os fenômenos espíritas se apóiam na ação de inteligências que têm vontade própria e nos provam a todo instante não estarem submetidas ao nosso capricho. As observações, portanto, não podem ser feitas da mesma maneira, num e noutro caso. No Espiritismo elas requerem condições especiais e outra maneira de encará-las: querer sujeitá-las aos processos ordinários de investigação, seria estabelecer analogias que não existem. A Ciência propriamente dita, como Ciência, é incompetente para se pronunciar sobre a questão do Espiritismo:  não  lhe  cabe  ocupar-se  do  assunto  e  seu  pronunciamento  a  respeito, qualquer que seja, favorável ou não, nenhum peso teria.

O Espiritismo é o resultado de uma convicção pessoal que os sábios podem ter como indivíduos, independente de sua condição de sábios. Querer, porém, deferir a questão  à  Ciência  seria  o  mesmo  que  entregar  a  uma  assembléia  de  físicos  ou astrônomos a solução do problema da existência da alma. Com efeito, o Espiritismo repousa inteiramente sobre a existência da  alma e o seu estado após a morte. Ora, é supinamente ilógico pensar que um homem deve ser grande psicólogo pelo simples fato de ser grande matemático ou grande anatomista. O anatomista, dissecando o corpo humano, procura a alma e o que não a encontra com o seu bisturi, como se encontrasse um nervo, ou porque não a vê envolar-se como um gás, conclui que ela não existe. Isto, em razão de colocar-se num ponto de vista exclusivamente material. Segue-se daí que ele  esteja  com  a  razão,  contra  a:  opinião  universal?  Não.  Vê-se,  portanto,  que  o Espiritismo não é da alçada da Ciência.

            Quando as crenças espíritas estiverem vulgarizadas, quando forem aceitas pelas massas, – o que, a julgar pela rapidez com que se propagam, não estaria muito longe, – dar-se-á  com  elas  o  que  se  tem  dado  com  todas  as  idéias  novas  que  encontraram oposição: os sábios se renderão à evidência. Eles as aceitarão individualmente, pela força das circunstâncias. Até que isso aconteça, seria inoportuno desviá-los de seus trabalhos especiais  para  constrangê-los  a  ocupar-se  de  coisa  estranha,  que  não  está  nas  suas atribuições  nem  nos  seus  programas.  Enquanto  isso,  os  que,  sem  estudo  prévio  e aprofundado da questão, pronunciam-se pela negativa e zombam dos que não concordam com  a  sua  opinião,  esquecem  que  o  mesmo  aconteceu  com  a  maioria  das  grandes descobertas que honram a Humanidade. Arriscam a ver os seus nomes aumentando a lista dos  ilustres  negadores  das  idéias  novas,  inscritos  ao  lado  dos  membros  da  douta assembléia que, em 1752, recebeu com estrondosa gargalhada o relatório de Franklin sobre os pára-raios, julgando-o indigno de figurar entre as comunicações da pauta, e daquela outra que fez a França perder as vantagens da navegação a vapor ao declarar o sistema de Fulton um sonho impraticável. Não obstante, eram questões de alçada da Ciência. Se essas assembléias, que contavam com os maiores sábios do mundo, só tiveram zombaria e sarcasmo para as idéias que ainda não compreendiam e que alguns anos mais tarde deviam revolucionar a Ciência, os costumes e a indústria, como esperar que uma questão estranha aos seus trabalhos possa ser melhor aceita?

Esses erros lamentáveis não tirariam aos  sábios, entretanto, os títulos com que, noutros assuntos, conquistam o nosso respeito. Mas é necessário um diploma oficial para se ter bom senso? E fora das cátedras acadêmicas não haverá mais do que tolos e imbecis? Basta olhar para os adeptos da doutrina espírita, para se ver se entre eles só existem ignorantes e se o número imenso de homens de mérito que a abraçaram permite que a releguemos ao rol das simples crendices. O caráter e o saber desses homens autorizam-nos a dizer: pois se eles o afirmam, deve pelo menos haver alguma coisa.

Repetimos ainda que, se os fatos de que nos ocupamos estivessem reduzidos ao movimento  mecânico  dos  corpos,  a  pesquisa  da  causa  física  do  fenômeno  seria  do domínio da Ciência; mas desde que se trata de uma manifestação fora do domínio das leis humanas, escapa à competência da Ciência material porque não pode ser explicada por números, nem por forças mecânicas. Quando surge um fato novo, que não se enquadra em nenhuma Ciência conhecida, o sábio, para  o estudar, deve fazer abstração de sua ciência e dizer a si mesmo que se trata de um estudo novo, que não pode ser feito com idéias preconcebidas

O homem que considera a sua razão infalível está bem próximo do erro; mesmo aqueles que trem as mais falsas idéias apóiam-se na própria razão e é por isso que rejeitam tudo quanto lhes parece impossível. Os que ontem repeliram as admiráveis descobertas de que a Humanidade hoje se orgulha, apelaram a esse juiz para as rejeitar. Aquilo que chamamos razão é quase sempre o orgulho mascarado e quem quer que se julgue  infalível  coloca-se  como  igual  a  Deus.  Dirigimo-nos,  portanto,  aos  que  são bastante ponderados para duvidar do que não viram, e julgando o futuro pelo passado, não acreditam que o homem tenha chegado ao apogeu nem que a Natureza lhes tenha virado a última página do seu livro.

Reflexão - As Diferenças entre Religião e Espiritualidade


As Diferenças entre Religião e Espiritualidade

A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.
A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.

A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.
A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.

A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.
A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: "aprenda com o erro".

A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!
A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e, portanto é Deus.

A religião inventa.
A espiritualidade descobre.
A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.

A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.
A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.

A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la.
A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.

A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.
A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência.

A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.
A religião alimenta o ego.
A espiritualide nos faz Transcender.

A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.
A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.

A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.
A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.

A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.
A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.

A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.

(AUTOR DESCONHECIDO)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Entrevista - Allan Kardec e O Livro dos Espíritos - Divaldo P. Franco - Site Espiritismo.net




Allan Kardec e O Livro dos Espíritos
Entrevista concedida por Divaldo Pereira Franco a Sônia Zaghetto, em 3 de abril de 2007.

1) O método kardequiano baseava-se em três pilares sólidos: as reuniões instrutivas, as evocações e o Controle Universal do Ensino dos Espíritos. Após a desencarnação do codificador e a posterior migração do movimento espírita para o Brasil, vimos ocorrer o seguinte fenômeno: as reuniões instrutivas perderam terreno para as reuniões de atendimento a Espíritos sofredores ou de desobsessão; as evocações foram quase totalmente substituídas pelas comunicações espontâneas; e o CUEE ficou no passado. Pergunta: por que o método kardequiano não encontrou terreno fértil no movimento espírita brasileiro? O que fazer para resgatá-lo e torná-lo aceito como prática comum no movimento espírita?
Penso que ainda se mantêm esses três pilares, embora com algumas adaptações, considerando-se que, à época do egrégio Codificador, faziam-se necessários conforme estabelecidos, tendo em mira a grandiosa elaboração da Obra que lhe fora confiada. Depois de concluída, o processo evoluiu naturalmente, conforme tenho observado em outros países do mundo por onde tenho passado. As reuniões prosseguem instrutivas, ao tempo em que se revestem da ação da caridade aos Espíritos sofredores e aos obsessores – caridade, que é pedra angular do pensamento espírita. As evocações perderam o sentido imediato, por desnecessidade, podendo, nada obstante, ser realizadas quando se tornem imperiosas. Por fim, o controle universal cedeu lugar ao bom senso, por falta de alguém com as características de liderança do mestre de Lyon, agora reservado às Entidades administrativas do Movimento Espírita.

2) Percebe-se no Movimento Espírita uma certa dificuldade com relação, particularmente, à evocação, que sempre é citada por Allan Kardec como útil e importante. Espíritos como Emmanuel e Vianna de Carvalho chegaram a desaconselhar a evocação. A frase de Chico Xavier "o telefone só toca de lá para cá" também  contribuiu para que a evocação fosse banida. O que fazer quando um dirigente ou Espírito trata a evocação como se fosse algo errado? Há alguma particularidade no entendimento desse banimento da evocação?
Acredito que o cuidado desses benfeitores espirituais reveste-se de zelo, a fim de que sejam evitadas as mistificações muito comuns, particularmente decorrentes das condições morais e espirituais daqueles que se candidatam às evocações. Não há nenhuma proibição, por parte deles, que eu saiba, mas somente recomendação.
A informação do médium Chico Xavier, refere-se às cartas mediúnicas que devem ser espontâneas, considerando-se o estado de cada desencarnado após o fenômeno da morte biológica. Fossem evocados esses Espíritos, a maioria dos quais inconscientes da realidade em que se encontram, e teríamos certamente verdadeira avalanche de mensagens inconseqüentes,  destituídas de qualidade e autenticidade, como aliás ocorrem, mesmo com os cuidados que têm sido recomendados.
Não há qualquer erro em evocar-se os Espíritos, desde que sejam considerados os relevantes objetivos a que se destinam e os valores morais daqueles que assim procedam.

3) Temos visto, em muitas instituições espíritas, um conhecimento maior das obras complementares do que da Codificação espírita. Que conseqüências traz, para a instituição, esse procedimento?
O estudo das obras da Codificação é fundamental para o conhecimento e a divulgação do Espiritismo. O Espírito Joanna de Ângelis, abordando a questão, oportunamente estabeleceu uma tríade: espiritizar, qualificar e humanizar o candidato ao conhecimento da Doutrina. Sem o conhecimento criterioso da Codificação não se tem condição de dirigir uma instituição que represente o Espiritismo. As conseqüências desse desconhecimento são, portanto, lamentáveis e perturbadoras.

4) Muitas pessoas afirmam que O Livro dos Espíritos é um tratado filosófico difícil de ler. Outros pretendem atualizar a linguagem e torná-lo mais fácil. O que o Sr. pensa dessas propostas?
Todo livro de filosofia requer atenção, reflexão, método de estudo para melhor compreender-se-lhe o conteúdo. O Livro dos Espíritos não é apenas uma obra de filosofia, mas uma síntese do conhecimento científico, filosófico e religioso, que exige aprofundamento nos seus conteúdos e seriedade no seu estudo. Atualizar a sua linguagem, fugindo à qualidade do conceito, é interpretá-lo, falseando-lhe o valor profundo, que ninguém se deve permitir, porque poderá facultar posteriores adulterações sob justificativas inconseqüentes. O Espiritismo é também uma doutrina de cultura, nada obstante, pessoas muito simples e sem grandes recursos intelectuais, com paciência e orientação, podem penetrar-lhe os ensinamentos enriquecedores, que passam a vivenciá-los com imensa tranqüilidade. O exemplo de minha genitora confirma essa assertiva, porquanto era analfabeta e eu lia-lhe a obra iluminativa, explicando-lhe, o que a tornou uma verdadeira espírita.
Acredito que, ao invés de descermos culturalmente, adaptando a linguagem do Espiritismo à vulgaridade, a pretexto de facilitar-lhe o entendimento, deveremos elevar os que ainda têm dificuldades nessa área, enriquecendo-os com a luz do conhecimento.
O desafio é dirigido aos pensadores, aos divulgadores, aos espíritas esclarecidos, que devem assumir esse compromisso de iluminar consciências através dos melhores métodos educacionais que estejam ao alcance,aliás, como já vem sendo feito por inúmeros trabalhadores devotados à Causa.

5) Há um tremendo desconhecimento da personalidade de Allan Kardec até mesmo por parte dos espíritas. Isso deu origem até a teses universitárias que afirmam que a caridade de Allan Kardec era um conceito abstrato e que somente aqui no Brasil é que o Movimento espírita se reinventou e adotou a prática da caridade. O que dizer para quem pensa assim?
Deveremos dizer que houve, um engano, sim, de interpretação, daqueles que assim pensam. Em face de o Brasil apresentar problemas socioeconômicos muito graves, como inúmeros outros países, os espíritas compreendemos que nos cabe a tarefa de auxiliar o nosso próximo naquilo que lhe é de maior urgência. Não se pode apresentar doutrinas sérias e que exigem reflexão como o Espiritismo, àqueles que estão com o estômago vazio, ao desamparo, nos guetos da miséria, que vêem os filhos passando necessidades, ou que se encontram sob os camartelos de enfermidades cruéis... Primeiro deve-se atenuar-lhes os sofrimentos com ações para depois oferecer-lhes os esclarecimentos de que necessitam.
Além disso, se lermos, por exemplo, a carta que Alexandre Delanne enviou aos amigos para ser lida por ocasião do sepultamento do Codificador no Cemitério do Pérre Lachaise, no dia 2 de abril de 1870, quando os restos morais foram transladados do Cemitério de Montmatre para o dólmen, onde hoje se encontram, conheceremos o Kardec caridoso, discreto e nobre, que mandava dinheiro aos necessitados, muitas vezes, usando o próprio Delanne (pai) seu grande amigo.
Nas suas viagens, especialmente naquelas que fez a Lyon, o seu tema preferido foi sempre a Caridade sob todos os aspectos considerada.
Viajando pelo mundo, onde existe Movimento Espírita constato sempre presente nos devotados companheiros a preocupação de auxiliar o próximo, mesmo nos chamados países de Primeiro Mundo... Pessoalmente considero a ação da caridade no Espiritismo como sendo os braços do amor distendidos em direção ao sofrimento, repetindo Jesus que, buscando libertar-nos da ignorância, atendeu às necessidades imediatas daqueles que O buscaram...

6) Há como sensibilizar os jovens para o estudo de O Livro dos Espíritos? Como?
Não há melhor maneira de sensibilizar, seja a quem for, do que através da sinceridade, da exposição honesta do pensamento. No que diz respeito, a O Livro dos Espíritos para as mentes juvenis, a metodologia aplicada é que deve ser convenientemente adaptada aos seus interesses, como fazemos em nossa Juventude, que conta com mais de 200 freqüentadores, nessa faixa etária, de onde saíram muitos dos adultos que hoje cooperam em nossa Casa, já que nossa atividade infanto-juvenil tem aproximadamente 49 anos de atividade.
O melhor método depende de quem convive com os jovens e lhe comparte os ideais, despertando-lhes o interesse para os objetivos relevantes da existência, de que o Espiritismo é muito rico.

7) Percebe-se (ainda que lentamente), entre os espíritas, um nascente movimento que defende uma volta ao estudo profundo das obras de Allan Kardec. Isso é uma percepção exata? O Sr. tem notícias de que estariam reencarnando espíritos mais comprometidos com o pensamento do Codificador, a fim de que o Espiritismo retorne à sua forma original?
Essa preocupação tem sido constante, mesmo no passado. Sucede que, em face de algumas revelações esdrúxulas e atentatórias ao bom senso e à lógica, que vêm surgindo em nosso Movimento e, em alguns lugares são apresentadas como doutrinárias, os espíritas sinceros que amamos o Espiritismo, estamos convidando a todos os interessados em conhecer a Doutrina, para que aprofundem o pensamento na Codificação, de modo a poderem entender esta fase de transição, na qual, as novidades e os desvios de comportamento que aumentam em todas as áreas da sociedade e vêm invadindo também o nosso Movimento, não se transformem em temas aceitos sem a conveniente análise e debate que merecem...
Infelizmente não tenho notícia de que se encontrem reencarnados Espíritos comprometidos com o pensamento do Codificador. No entanto, creio sinceramente nessa possibilidade.

8) Apesar de fartamente definido pelo próprio Codificador, o caráter religioso da Doutrina ainda é fonte de controvérsias. Qual a sua avaliação sobre a religião espírita? Na sua opinião, o conceito de religião que praticamos no Brasil está de acordo com a percepção do Codificador?
Não poucas vezes, o insigne Codificador reporta-se às questões religiosas que se encontram embutidas na Doutrina Espírita. Refiro-me aos conteúdos e não às cerimônias ou rituais comuns nas religiões convencionais. Sendo uma Doutrina, cuja primeira indagação é a respeito de Deus, posteriormente, referindo-se à Lei de adoração, ao hábito da prece, à excelência da caridade, à prática da mediunidade religiosamente, cristãmente, ao exercício das virtudes, pessoalmente entendo o Espiritismo também como sendo religião, é claro que respeitando aqueles co-idealistas que pensam diferente e com razões ponderáveis.
Acredito, sim, que o conceito de religião que vive o Movimento Espírita Brasileiro, encontra-se perfeitamente apoiado na Codificação e no pensamento do mestre de Lyon, com exceção, é claro, daqueles indivíduos e instituições que, por ingenuidade ou ignorância, tentam repetir o igrejismo ancestral, o pieguismo religioso, engendrando práticas estranhas e tentando restabelecer cultos já ultrapassados como se fizessem parte do Espiritismo...

9) Entre as muitas novidades que surgem no Movimento Espírita Brasileiro estão teses sobre supostas reencarnações de Allan Kardec. Alguns acreditam que ele reencarnou como Chico Xavier, a fim de complementar a obra. O que o Senhor pensa disso?
O Espiritismo é doutrina de liberdade de pensamento, e isto é motivo de muito júbilo para todos nós, os seus adeptos, facultando a cada espírita formular conceitos próprios e ter opiniões respeitáveis em torno dos mais variados assuntos, sem submissão a qualquer autoridade terrestre. Felizmente não temos chefes nem teólogos que interpretem a Doutrina por nós. O livre exame dos textos é nossa conquista cultural e ética.
Tenho em alta consideração aqueles que apresentam informações e documentam as semelhanças entre as existências de Allan Kardec e do venerando médium Francisco Cândido Xavier, afirmando tratar-se do mesmo Espírito. Eu penso diferente.

10) Qual a melhor homenagem a O Livro dos Espíritos em seus 150 anos?
A melhor homenagem que podemos prestar a O Livro dos Espíritos, por ocasião do seu sesquicentenário de lançamento em Paris, no dia 18 de abril de 1857, é divulgá-lo, o mais amplamente possível, apresentando-o à sociedade contemporânea como sendo o marco inicial da Era do Espírito imortal na Terra. Isto feito, viver-lhe os ensinamentos de forma que nos tornemos verdadeiros espíritas.
Fonte: Site Espiritismo.net