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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Mensagem Espírita - Linguagem - Site da Federação Espírita Brasileira

Linguagem


*


"Linguagem sã e irrepreensível para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós." Paulo. (TITO, 2 :8.)


 Através da linguagem, o homem ajuda-se ou se desajuda.
 Ainda mesmo que o nosso íntimo permaneça nevoado de problemas, não é aconselhável que a nossa palavra se faça turva ou desequilibrada para os outros.
 Cada qual tem o seu enigma, a sua necessidade e a sua dor e não é justo aumentar as aflições do vizinho com a carga de nossas inquietações.
 A exteriorização da queixa desencoraja, o verbo da aspereza vergasta, a observação do maldizente confunde...
 Pela nossa manifestação mal conduzi da para com os erros dos outros, afastamos a verdade de nós.
 Pela nossa expressão verbalista menos enobrecida, repetimos a bênção do amor que nos encheria do contentamento de viver.
 Tenhamos a precisa coragem de eliminar, por nós mesmos, os raios de nossos sentimentos e desejos descontrolados.
 A palavra é canal do "eu".
 Pela válvula da língua, nossas paixões explodem ou nossas virtudes se estendem.
 Cada vez que arrojamos para fora de nós o vocabulário que nos é próprio, emitimos forças que destroem ou edificam, que solapam ou restauram, que ferem ou balsamizam.
 Linguagem, a nosso entender, se constitui de três elementos essenciais: expressão, maneira e voz.
 Se não aclaramos a frase, se não apuramos o modo e se não educamos a voz, de acordo com as situações, somos suscetíveis de perder as nossas melhores oportunidades de melhoria, entendimento e elevação.
 Paulo de Tarso fornece a receita adequada aos aprendizes do Evangelho.
 Nem linguagem doce demais, nem amarga em excesso. Nem branda em demasia, afugentando a confiança, nem áspera ou contundente, quebrando a simpatia, mas sim "linguagem sã e irrepreensível para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós".

Do livro FONTE VIVA
FRANCISCO CANDIDO XAVIER
DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL

Fonte: Site da Federação Espírita Brasileira

Mensagem Espírita - A Lição do Perdão - Site Caminhos de Luz



“Quando o silêncio se fizer mais pesado ao redor de teus passos, aguça os ouvidos e escuta." -  Francisco de Assis



A Lição do Perdão



O que você faria se, de repente, por uma circunstância qualquer, tivesse nas suas mãos a possibilidade de decidir a respeito do destino de uma pessoa que muito lhe prejudicou?

Alguém que estendeu o manto da calúnia e destruiu o seu bom nome perante os amigos? Alguém que usurpou, com métodos desonestos, a sua empresa, fruto de seu labor de tantos anos?

Alguém que tenha ferido brutalmente a um membro da sua família?

Será que você lembraria da lição do perdão, ensinada por Jesus? Será que acudiriam à sua mente as palavras do mestre Galileu: Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia?

Ou, ainda, a exortação a respeito de nos reconciliarmos ainda hoje com nosso adversário?

A propósito, conta-se que um escravo tornou-se de grande valor para o seu senhor, por causa da sua honradez e bom comportamento.

Dessa forma, seu senhor o elevou a uma posição de importância, na qualidade de administrador de suas fazendas.

Numa ocasião, o senhor desejou comprar mais vinte escravos e mandou que o novo administrador os escolhesse. Disse, contudo, que queria os mais fortes e os que trabalhassem melhor.

O escravo foi ao mercado e começou a sua busca. Em certo momento, fixou a vista num velho e decrépito escravo. Apontando-o para o seu senhor, disse-lhe que aquele devia ser um dos escolhidos.

O fazendeiro ficou surpreendido com a escolha e não queria concordar. O negociante de escravos acabou por dizer que se o fazendeiro comprasse vinte homens, ele daria o velho de graça.

Feita a compra, os escravos foram levados para a fazenda do seu novo senhor.

O escravo administrador passou a tratar o velho com maior cuidado e atenção do que a qualquer dos outros.

Levou-o para sua casa. Dava-lhe da sua comida. Quando tinha frio, levava-o para o sol. Quando tinha calor, colocava-o debaixo das árvores de cacau, à sombra.

Admirado das atenções que o seu antigo escravo dispensava a um outro escravo, seu senhor lhe perguntou por que fazia aquilo.

Decerto deveria ter algum motivo especial: É seu parente, talvez seu pai?

A resposta foi negativa.

É então seu irmão mais velho?

Também não, respondeu o escravo.

Então é seu tio ou outro parente.

Não tenho parentesco algum com ele. Nem mesmo é meu amigo.

Então, perguntou o fazendeiro, por que motivo tem tanto interesse por ele?

Ele é meu inimigo, senhor. Vendeu-me a um negociante e foi assim que me tornei escravo.

Mas eu aprendi, nos ensinamentos de Jesus, que devemos perdoar os nossos inimigos. Esta é a minha oportunidade de exercitar meu aprendizado.

O perdão acalma e abençoa o seu doador.

Maior é a felicidade de quem expressa o perdão. O perdoado é alguém em processo de recuperação. No entanto, aquele que lhe dispensa o esquecimento do mal, já alcançou as alturas do bem e da solidariedade.

Quando se entenda que perdoar é conquistar enobrecimento, o homem se fará forte pelas concessões de amore compreensão que seja capaz de distribuir.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Mensagem Espírita - Através do Pensamento Modificamos Nossa Vida - Site Gotas de Paz




Através do Pensamento Modificamos Nossa Vida



Nosso pensamento transforma tudo em nossa vida,

é através dele que mandamos ao nosso corpo físico

vibrações de paz e serenidade, onde tudo corre na

mais perfeita harmonia, ou enviamos vibrações negativas,

onde nosso corpo físico vai se debilitando com o passar

do tempo e nós nem percebemos, quando caímos em si,

já estamos tomados pelos males físicos que muitas

vezes nem temos explicações, por isso a importância

de sempre estarmos vigilantes aos sentimentos, que estamos

dando morada em nossos corações,

para mais tarde não sofrermos as conseqüências.

 Se modificarmos nossa maneira de pensar, procurando

manter uma sintonia de harmonia em nosso pensamento,

estaremos favorecendo e muito nossa condição vibratória

e desta forma estaremos proporcionando o bem estar

ao nosso corpo físico e espiritual.

 Através do pensamento modificamos nossa vida, porque estamos

em constante sintonia com o nosso coração, por isso

a importância de não guardarmos a angustia, a raiva, a mágoa

e outros tantos sentimentos que não são do bem.

 Devemos transformar todos esses sentimentos que nos fazem sofrer,

pensando positivamente e tendo a confiança de que somos

capazes para superar e reverter tudo o que não nos faz bem.

 Através da nossa reforma íntima, nos livramos de vários

defeitos que nos atrapalham, a evolução nos liberta

do nosso passado, não nos apegamos tanto a pequenas coisas

que nos trazem os pensamentos negativos e que nos levam a depressão,

é neste instante que fazemos a opção por nossa mudança,

do que queremos para nós e o que queremos transmitir

aos nossos irmãos de caminhada.

 Tudo em nossa vida são escolhas, nós temos todos os requisitos

para nos transformar basta colocarmos em prática o que aprendemos de bom.

  

Poesia - Rumo ao infinito - Site Recanto das Letras



Rumo ao infinito
Astúrio Passos



Quando por um instante
Ao perceber ao seu redor
Um rude cárcere de ferro frio
Rememora teus sentimentos


Relembra que num dado instante
Calmamente ou num rompante
Assinaste teu mandado de prisão
Quando escolheu se magoar


Ao atuar no enredo do orgulho
Saístes de campos verdejantes
Incomparável vôo de liberdade
Para pousar numa gaiola triste


Oh! Carcereiro cruel

Verdugo de tenazes ilusões
Concede-te o alvará de soltura

Limpa teu coração com a caneta do perdão



Esforça-te para compreender teu irmão
E quando conseguires obterás a liberdade

Compreender liberta

O coração encarcerado



Se queres esquecer, sem querer entender
Uma ferida aberta vai ficar

No teu coração a inflamar

E no caminho da dor vai caminhar



Doces frutos nos dá o perdão
Flores escuras brotam de um magoado coração

Tornemos isso uma opção

Para rompermos de vez o grilhão



Abraçar uma nova ética
Fundamentada em propósitos cristalinos

É a base que nos falta

Para voarmos livres rumo ao infinito.


 

terça-feira, 12 de julho de 2011

Mensagem Espírita - Erguer e Ajudar - Site da Federação Espírita Brasileira

Erguer e ajudar


*

"E ele, dando-lhe a mão, a levantou,. ," - (ATOS, 9:41.)


Muito significativa a lição dos Atos, quando Pedro restaura a irmã Dorcas para a vida.
Não se contenta o apóstolo em pronunciar palavras lindas aos seus ouvidos, renovando-lhe as forças gerais.
Dá-lhe as mãos para que se levante.
O ensinamento é dos mais simbólicos.
Observamos muitos companheiros a se reerguerem para o conhecimento, para a alegria e para a virtude, banhados pela divina claridade do Mestre, e que podem levantar milhares de criaturas para a Esfera Superior.
Para isso, porém, não bastará a predicação pura e simples. o sermão é, realmente, um apelo sublime, do qual não prescindiu o próprio Cristo, mas não podemos esquecer que o Celeste Amigo, se doutrinou no monte, igualmente no monte multiplicou os pães para o povo esfaimado, restabelecendo-lhe o ânimo.
Nós, os que nos achávamos mortos na ignorância, e que hoje, por acréscimo da Misericórdia Infinita, já podemos desfrutar algumas bênçãos de luz, precisamos estender o serviço de socorro aos demais.
Não nos desincumbiremos, porém, da. Tarefa salvacionista, simplesmente pronunciando alguns discursos admiráveis.
É imprescindível usar nossas mãos nas obras do bem.
Esforço dos braços significa atividade pessoal.
Sem o empenho de nossas energias, na construção do Reino Espiritual com o Cristo, na Terra, debalde alinharemos observações excelentes em torno das preciosidades da Boa Nova ou das necessidades da redenção humana.
Encontrando o nosso irmão, caído na estrada, façamos o possível por despertá-lo com os recursos do verbo transformador, mas não olvidemos que, para trazê-lo de novo à vida construtiva, será indispensável, segundo a inesquecível lição de Pedro, estender-lhe fraternalmente as nossas mãos.

Do livro FONTE VIVA
FRANCISCO CANDIDO XAVIER
DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL

Mensagem Espírita - Separações - André Luiz - Site Universo Espírita




SEPARAÇÕES

André Luiz



Nas construções do bem, é forçoso contar com a retirada de muitos companheiros e, em muitas ocasiões, até mesmo daqueles que se nos fazem mais estimáveis.

É preciso agüentar a separação, quando necessária, como as árvores toleram a poda.

Erro grave reter conosco um ente amigo que anseia por distância.

Em vários casos, os destinos assemelham-se às estradas que se bifurcam para atender aos desígnios do progresso.

Não servir de constrangimento para ninguém.

Se alguém nos abandona, em meio de empreendimento alusivo à felicidade de todos e se não nos é possível atender à obra, em regime de solidão, a Divina Providência suscita o aparecimento de novos companheiros que se nos associam à luta edificante.

Nunca pedir ou exigir de outrem aquilo que outrem não nos possa dar.

Não menosprezar a quem quer que seja.

Saibamos orar em silêncio, uns pelos outros.

Apenas Deus pode julgar o íntimo de cada um.



Francisco Cândido Xavier. Da obra: Sinal Verde.

Ditado pelo Espírito André Luiz.



Fonte: Site Universo Espírita





























Mensagem Espírita - Perdoa, sim... - Site Oficina Espírita



Perdoa, sim...


O desconhecido passou, de carro, enlameando-te a veste, como se toda a rua lhe pertencesse...

Compadece-te dele. Corre, desabalado, à procura de alguém que lhe socorra o filhinho nos esgares da morte.

Linda mulher, que pérolas e brilhantes enfeitam, segue a teu lado, parecendo fingir que te não percebe a presença...

Compadece-te! Ela tem os olhos embaciados de pranto e não chegou a ver-te.

Jovem, admiravelmente bem-posto, cruzou contigo, endereçando-te palavra de sarcasmo e de injúria...

Compadece-te! Ele tem os passos no caminho do hospício e ainda não sabe.

O amigo que mais amas negou-te um favor...

Compadece-te dele! Não lhe vês a dificuldade encravada no coração.

Companheiros do mundo!...

Estarão contigo, notadamente no lar, onde guardam os nomes de pai e mãe, esposo e esposa, filhos e irmãos...

Muita vez, levantam-se de manhã, chorosos e doloridos, aguardando um sorriso de entendimento,

ou chegam do trabalho, fatigados e tristes, esmolando compreensão.

Todos trazem consigo aflições e problemas que desconheces.

Ergue a própria alma e auxilia sempre!...

Indulgência para todos!

Bondade para com todos!...

E, se algum deles te fere diretamente a carne ou a alma,

não levantes o braço ou a voz para revidar.

Busca no silêncio a inspiração do Senhor, e o Mestre,

como se estivesse descendo da cruz em que pediu perdão para os próprios verdugos, te dirá compassivo:

- Perdoa, sim! Perdoa sempre, porque, em verdade, aqueles que não perdoam também não sabem o que fazem...

ESPÍRITO MEIMEI, PSICOGRAFIA DE CHICO XAVIER

Forum Espírita
Fonte: Site Oficina Espirita

Artigo Espírita - A Didática do Sofrimento - Perante a Eternidade

A Didática do Sofrimento

Cláudio Fajardo

“Assim diz o Senhor: Como quando se encontra o suco em um cacho de uva, se diz: ‘Não vás destruí-lo pois ele contém uma benção’, do mesmo modo agirei em prol dos meus servos não os destruirei de todo.” (Isaías, 65: 8 )

Em nossos tempos atuais muito se tem discutido sobre o sofrimento e sua função. Cientistas de todas as áreas têm dedicado suas existências a eliminá-lo, deixando ao homem somente a possibilidade da felicidade.

Muito digna e correta a luta de todos eles, pois Deus que é Pai de misericórdia a ninguém criou para que sofresse. Conclui-se daí que, se somos afligidos por algo, a criação do motivo é nossa, pois do Amor jamais poderá ser originada a dor.

Todavia, é fato que sofremos; e se queremos combater esse mal que tanto nos atormenta, é preciso que nos apercebamos que não há efeito sem causa, como afirma a própria ciência, sendo deste modo, prudente entender qual a origem das aflições e qual a sua função.

O texto do profeta Isaías nos diz que nós, homens comuns, não destruímos um cacho de uva se ele contém uma benção, por lógica, Deus que é soberanamente Sábio e Perfeito, não fará que ninguém passe por um momento de angústia se não houver neste fato uma função didática a conduzir a criatura a planos de maiores entendimentos sobre as questões essenciais da vida.

Sabemos que Deus é Pai e não padrasto, conforme afirma o jargão popular, portanto, se permite que soframos não é visando a destruição e sim um encaminhamento daquele que passa por dissabores, pois se o sofrimento for tanto que seja capaz de destruir toda a criatura, não há no acontecimento a mínima lógica nem sob o ponto de vista humano, o que se dirá em se tratando de uma Providência Divina que é toda sabedoria.

Deste modo, avaliemos cada ocorrência menos feliz, têm elas a faculdade de nos ensinar algo, assim, procuremos descobrir qual lição que tem o Arquiteto do Universo guardada para nós nas circunstâncias várias de nossa vida; momentos outros já passamos no passado, que também nos trouxeram dissabores, e que hoje analisando friamente foram bastante positivos no que diz respeito ao nosso crescimento essencial.

Tenhamos, assim, cautela, e aguardemos operando no bem, pois assim falou o Senhor por meio do Profeta:

“Erguei ao céu os vossos olhos, olhai para a terra cá em baixo, porque os céus se desfarão como a fumaça, e a terra se desgastará como uma veste; os seus habitantes perecerão como mosquitos; mas a minha salvação será eterna…” (Isaías, 51: 6)

Artigo Espírita - A Natureza Humana - Site Doutrina Espírita – Luz da Razão


A Natureza Humana


Um erro psicológico de funestas conseqüências domina a ortodoxia oficial. Pretendem que o homem seja visceralmente mau, intrinsecamente perverso e, por natureza, corrupto. Semelhante conceito é adotado, salvo raras exceções, por sociólogos, juristas, escritores, filósofos, cientistas e, o que é de admirar, pela clerezia de vários credos religiosos. Que os materialistas façam tal conceito do homem, compreende-se; mas que sejam acompanhados pelos crentes e até pelas autoridades das religiões deístas é inominável, inconcebível quase.

Como é possível que o homem, criado à imagem e semelhança de Deus, seja visceralmente mau? Como se compreende que o Supremo Arquiteto haja produzido obras intrinsecamente imperfeitas e defeituosas? Semelhante despautério precisa combatido. Lavremos, em nome da fé que professamos, veemente protesto contra a tremenda heresia.

O homem é obra inacabada. Entre obra inacabada e obra defeituosa vai um abismo de distância. Os Espíritos trazem consigo os germens latentes do bem e do belo. A centelha divina, oculta embora, como o diamante no carvão, refulge em todos eles. O mal que no homem se verifica é extrínseco e não intrínseco. No seu íntimo cintila o divinal revérbero da face do Criador. Os defeitos, senões e falhas são frutos da ignorância, da fraqueza e do desequilíbrio de que a Humanidade ainda se ressente. Removidas tais causas, a decantada corrupção humana desaparecerá. Deus não cria Espíritos como os escultores modelam estátuas. As obras de Deus são vivas, trazem si mesmas as possibilidades de autodesenvolvimento. A vida implica movimento e crescimento. “Em cada átomo do Universo está inscrita esta legenda: para a frente e para o alto.” Os atributos de Deus estão, dadas as devidas condições de relatividade, palpitando em cada criatura. Apelando-se para as faculdades profundas do Espírito, logra-se o despertar da célica natureza que nele dorme, atestando a origem donde proveio. O problema do mal resolve-se pela educação, compreendendo-se por educação o apelo dirigido aos potenciais do espírito. Educar é salvar. Através do trabalho ingente da educação, consegue-se transformar as trevas em luz, o vício em virtude, a loucura em bom senso, a fraqueza em vigor. Tal é em que consiste a conversão do pecador.

Jesus foi o maior educador que o mundo conheceu e conhecerá. Remir ou libertar só se consegue educando. Jesus acreditava piamente na redenção do ímpio. O sacrifício do Gólgota é a prova deste asserto. Conhecedor da natureza humana em suas mais íntimas particularidades, Jesus sabia que o trabalho da redenção se resume em acordar a divindade oculta na psique humana. Sua atuação se efetuou sempre nesse sentido. Jamais o encontramos abatendo o ânimo ou aviltando o caráter do pecador, fosse esse pecador um ladrão confesso, fosse uma adúltera apupada pela turbamulta. “Os sãos não precisam de médicos, mas, sim, os doentes”; tal o critério que adotava. Invariavelmente agia sobre algo de puro e de incorruptível que existe no Espírito do homem.

Firmado em semelhante convicção, sentenciava com autoridade: “Sede perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.” Esta sentença só podia ser proferida por quem não alimentava dúvidas sobre os destinos humanos. Interpelado sobre a vinda do reino de Deus, retruca o Mestre: “O reino de Deus não virá sob manifestações exteriores; porque o reino de Deus está dentro de vós.” O apóstolo das gentes, inspirado em idêntico conceito a respeito do homem, proclama igualmente: “O templo de Deus, que sois vós, é santo. Ignorais, acaso, que sois santuários de Deus, e que o Espírito divino habita em vós?”

O mal é uma contingência. Em realidade significa apenas ausência do bem, como as trevas representam somente ausência de luz. O mal e a ignorância são transes ou crises que o Espírito conjurará fatalmente, mediante o despertar de suas forças latentes. A prova cabal e insofismável de que a natureza intima do homem é divina, e, por conseguinte, incompatível com o mal, está na faculdade da consciência. Que é a consciência, na acepção moral, senão o “divino” cuja ação se faz sentir condenando o mal e aplaudindo o bem? Por que razão o homem jamais consegue iludir ou corromper a consciência própria? Ele pode, no uso do relativo livre arbítrio que frui, desobedecer-lhe, agir em contrário aos seus ditames, porém nunca abafará seus protestos, nunca conseguirá fazê-la conivente de iniquidades e crimes. A consciência é o juiz íntegro cuja toga não se macula, e cuja sentença ouviremos sempre, quer queiramos, quer não, censurando nossa conduta irregular. Esse juiz, essa voz débil, mas insopitável, é a centelha divina que refulge através da escuridão de nossa animalidade, é o diamante que cintila a despeito da negrura espessa do rude invólucro que o circunda.

O maior bem que se pode fazer ao homem é educá-lo. Os educadores, cientes e conscientes de seu papel, são os verdadeiros benfeitores da Humanidade. Cooperar pela ressurreição do Espírito é proporcionar-lhe o sumo bem; nada mais valioso se lhe pode fazer. Tal a missão do Cristo de Deus neste mundo. Por esse ideal ele se deu em holocausto no patíbulo da cruz. A Humanidade precisava de um modelo, de uma obra acabada que refletisse em sua plenitude a majestade divina. Esse arquétipo nos foi dado no Filho de Deus. Os modelos devem ser imitados. Para isso se destinam. Assim compreendia Paulo de Tarso, consoante se infere desta sua asserção: “…tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos (crentes) até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, a estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude do Cristo”.

A larga parábola que temos a percorrer em demanda do Modelo é obra de educação, educação que se transforma em auto-educação.

Kant, o filósofo, assim compreende a educação: “Desenvolver no indivíduo toda a perfeição de que ele é suscetível: tal o fim da educação.”

Pestalozzi, o pedagogista consumado, diz: “Educar é desenvolver progressivamente as faculdades espirituais do homem.”

João Locke, grande preceptor, se expressa desta maneira sobre o assunto: “Educar é fazer Espíritos retos, dispostos a todo momento a não praticarem coisa alguma que não seja conforme à dignidade e à excelência de uma criatura sensata.” Lessing, autoridade não menos ilustre, compara a obra da educação à obra da revelação, e diz: “A educação determina e acelera o progresso e o aperfeiçoamento do homem.”

Frõebel, o criador do “Kindergarten” (Jardim da Infância), afirmava que em toda criança existe a possibilidade de um grande homem.

Denis, o incomparável apóstolo do Espiritismo, proferiu esta frase lapidar: “A educação do Espírito é o senso da vida.”

Diante do que aí fica, será preciso acrescentar que o objetivo da religião é educar o Espírito? “Se o sal tornar-se insípido, para que servirá?

Como Jesus, os educadores, dignos de tal nome, crêem firmemente na reabilitação dos maus. Os novos apóstolos do Cristianismo não virão dos seminários, mas do magistério bem compreendido e melhor sentido.

* * *

Perniciosas e desastrosas têm sido as conseqüências decorrentes do falso conceito generalizado sobre o caráter humano. Tal vesânia gerou o pessimismo que domina a sociedade. O vírus que tudo polui e conspurca, é, a seu turno, outro efeito oriundo da mesma causa. Que pretendem os industriais da cinematografia exibindo películas dissolventes e até indecorosas? E os literatos e romancistas abarrotando as livrarias de obras frívolas, enervantes e imorais? E o empresário teatral com suas comédias corriqueiras, impudicas, eivadas de obscenidades? E os musicistas com seus “jazzs”, “fox trots” e maxixes? E os costureiros e modistas com sua indumentária que peca pela falta de decência e decoro? Todos eles, convencidos de que a natureza humana é essencialmente corrupta, estão atuando através da corrupção. Visando a lucros, imaginam que o meio mais seguro de êxito seja aquele. No entanto, se o cinema se transformasse, de escola do vício em escola da virtude, deixaria de existir por isso? Respondemos pela negativa, sem titubear. Teria concorrência melhor e maior, como há leitores para os bons livros, como há apreciadores da arte pura.

A falsa idéia de que o êxito na cinematografia, nas artes, na indústria e no comércio só se alcança acoroçoando a maldade e a ignorância humana, é um estrabismo herético e execrável. A Teologia tem sustentado esse erro pernicioso, através dos séculos, pela palavra de seus corifeus, prejudicando seriamente a evolução da Humanidade. A Pedagogia, em seu glorioso advento, vai destroná-la desembaraçando a mente humana dessa pedra de tropeço.

A verdade está com a Pedagogia. Com a Teologia, o caos, a confusão, as trevas. Com a Pedagogia está o otimismo sadio, alegre e forte.

LIVRO:  EM TORNO DO MESTRE

AUTOR:  PEDRO DE CAMARGO (PSEUDÔNIMO DE VINICIUS)

EDITORA:  FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA

LOCAL DE EDICAÇÃO:  BRASÍLIA – DF – BRASIL / 1939

PÁGINAS:  117 ATÉ 121



Grupo de Estudos Espíritas On-line - Obras Básicas - O Céu e o Inferno - 12/07/2011

Grupo de Estudos Espíritas On-line CEACLUZ
Obras Básicas  - 9º Tema
O Céu e o Inferno


Os Limbos

8 — É verdade que a Igreja admite para certos casos particulares uma situação especial. As crianças mortas em tenra idade, não tendo praticado o mal, não podem ser condenadas ao fogo eterno. De outro lado, não tendo praticado o bem, não possuem nenhum direito à felicidade suprema. São então, diz ela, enviadas aos limbos, situação mista e jamais definida, na qual, embora não sofrendo não gozam também da felicidade perfeita. Mas desde que a sua sorte já está irrevogavelmente fixada, elas estão privadas da felicidade por toda a eternidade.

Essa privação, desde que não dependeu delas, equivale a um suplício eterno imerecido. Acontece o mesmo com o selvagem, que não tendo recebido a graça do batismo e as luzes da religião, pecam por ignorância, abandonando-se aos instintos naturais e não podem ter culpa nem mérito como os que agem em conhecimento de causa.

A simples lógica repele semelhante doutrina em nome da justiça de Deus. Porque esta justiça encontra-se toda nestas palavras do Cristo: "A cada qual segundo suas obras". Mas é necessário entender por isso as boas ou más obras que se praticam livremente, voluntariamente, pois são as únicas que acarretam responsabilidade. Não é esse o caso da criança, nem do selvagem ou qualquer outro cujo esclarecimento não tenha dependido da sua própria vontade.

Quadro do inferno pagão

9             — Só conhecemos o inferno pagão através das composições dos poetas. Homero e Virgílio nos deram a definição mais completa, mas devemos considerar as exigências formais da poesia nessas descrições.

A de Fenelon no Telêmaco, embora originaria da mesma fonte quanto às crenças fundamentais, tem a simplicidade mais precisa da prosa. Descreve o aspecto lúgubre dos vários lugares e procura ressaltar sobretudo o género dos sofrimentos a que são submetidos os culpados, estendendo-se bastante sobre o destino dos maus reis, isso em virtude da instrução que dava ao seu aluno real.

Por mais popular que seja a sua obra, muitas pessoas não terão de memória essa descrição ou não puderam refletir bastante sobre ela para fazer uma comparação. Eis porque julgamos útil reproduzir os trechos que apresentam relação mais direta com o nosso assunto, ou seja, aqueles que se referem especialmente às penas individuais.

10           — Entrando, Telêmaco ouve outros gemidos de uma sombra que não encontrava consolação. — Qual é, diz ele, — a vossa desgraça? O que fostes na terra? — Eu era, — respondeu-lhe a sombra, — Nabofarzan, rei da soberba Babilónia, e todos os povos do Oriente tremiam ao simples som do meu nome.

Fiz-me adorar pelos babilónios no templo de mármore onde estava representado por uma estátua de ouro, diante da qual eram queimados dia e noite os mais preciosos perfumes da Etiópia. Ninguém jamais ousou me contradizer sem ter sido mediatamente punido. Eu inventava cada dia novos prazeres para tornar minha vida mais deliciosa. Era então jovem e robusto.

Mas, oh! desgraça! embora muito ainda me restasse para gozar sobre o trono, uma mulher que amei e que não me amava me fez logo sentir que eu não era um deus: envenenou-me e hoje nada mais sou. Puseram pomposamente as minhas cinzas numa urna de ouro. Choraram, arrancando os cabelos ao redor.

Ela ameaçou atirar-se nas chamas em que me incineravam, para morrer comigo e ainda hoje vai chorar aos pés do soberbo túmulo a que lançaram as minhas cinzas. Mas ninguém me lamenta e minha memória causa horror mesmo na minha família, enquanto sofro aqui em baixo horríveis tratamentos.

Telêmaco, emocionado com o drama, lhe diz: foste verdadeiramente feliz durante o vosso reinado, sentíeis essa doce paz sem a qual o coração permanece sempre opresso e abatido em meio das delícias? — Não, respondeu o babilónio, nem mesmo compreendo o que quereis dizer.

Os sábios louvam essa paz como o único bem, mas de minha parte jamais a senti. Meu coração estava incessantemente agitado por novos desejos, por temores e esperanças. Eu procurava esquecer-me de mim na confusão das minhas paixões. Cuidava de entreter essa embriaguez para que não cessasse, pois o menor intervalo de raciocínio normal me teria sido demasiado amargo. Eis a paz que desfrutei. Qualquer outra me parece uma fábula ou um sonho. Eis os bens que lamento.

Assim falando, o babilônio chorava como um homem pusilânime que se deixou debilitar pelas comodidades, não se tendo jamais acostumado a suportar a desgraça. Tinha ao seu lado alguns escravos que fizeram morrer nas honras dos seus funerais. Mercúrio os havia entregue a Carente com o seu rei, dando-lhes um poder absoluto sobre esse rei que haviam servido na Terra.

Essas sombras de escravos não temiam mais a sombra de Nabofarzan, mas a mantinham acorrentada e a submetiam as mais cruéis humilhações. Uma lhe dizia: Nós também não éramos homens, tanto como tu?

Como pudeste ser tão insensato para te considerar como um deus, não te lembrando que pertencias à mesma raça dos homens? — Uma outra o insultava dizendo: — Tinhas razão de não querer que te considerassem como um homem, porque eras um monstro sem humanidade. — Outra lhe falava assim: Muito bem! Onde estão agora os teus aduladores? Não tens mais nada a dar, infeliz! E não podes mais fazer nenhum mal; eis que te tornaste escravo dos teus próprios escravos; os deuses demoram a fazer justiça, mas por fim a fazem.

A essas duras palavras Nabofarzan se atirava com o rosto na terra, arrancando os cabelos numa explosão de raiva e desespero. Mas Carente dizia aos escravos: — Puxai-o pela corrente, erguei-o mesmo que ele não queira, pois ele não terá nem mesmo a consolação de ocultar a própria vergonha. É necessário que todas as sombras do Esfinge o testemunhem para justificar os deuses, que tão longamente suportaram o reinado desse ímpio na Terra.

Logo ele percebeu, bem próximo dele, o Tártaro negro. Subia deste uma fumaça escura e espessa, cujo odor empestado causaria a morte se ela se expandisse pela região dos vivos. Essa fumaça cobria um rio de fogo com turbilhões de chamas, e o seu ruído, semelhante ao das mais impetuosas correntes, quando se lançam dos mais altos rochedos ao fundo dos abismos, fazia que não se pudesse ouvir com clareza nesses tristes lugares.

Telêmaco, secretamente influenciado por Minerva, entrou sem temor nesse báratro. Percebeu de início um grande número de homens que haviam vivido nas mais baixas condições e que eram punidos por haverem buscado as riquezas por meio de fraudes, de traições e de crueldades. Notou ali muitos ímpios e hipócritas que fingindo amar a religião, dela se haviam servido como um bom pretexto para satisfazer as suas ambições, aproveitando-se da credulidade alheia. Esses homens que haviam abusado da própria virtude, embora sendo ela o mais valioso dom dos deuses, eram punidos como os piores entre os celerados.

Os filhos que haviam matado pais e mães, as esposas que haviam manchado suas mãos no sangue dos próprios maridos, os traidores que haviam entregue a pátria violando todos os juramentos sofriam penas menos cruéis do que esses hipócritas. Os três juízes dos infernos assim determinaram, e eis as suas razões: esses hipócritas, não se contentando de ser maus como os demais ímpios, querem ainda passar por bons e fazem por sua falsa virtude que os homens não mais queiram acreditar na virtude verdadeira. Os deuses, dos quais eles se serviram, tornando-os desprezíveis para os homens, sentem prazer ao empregar todo o seu poder para vingar-se dos seus insultos.

Ao lado desses estavam outros homens que o vulgo não considera culpados, mas que a vingança divina persegue impiedosamente. São os ingratos, os mentirosos, os vaidosos que se louvaram no vício, os críticos maliciosos que não temeram manchar a mais pura virtude. Por fim, os que julgaram temerariamente sem conhecer as coisas a fundo, com isso prejudicando a reputação dos inocentes.

Vendo os três juízes que estavam sentados e condenavam um homem, Telêmaco ousou perguntar-lhes quais eram os crimes do mesmo. No mesmo instante o condenado, tomando a palavra, exclamou: — Nunca fiz nenhum mal, sempre tive o maior prazer em fazer o bem, fui magnânimo, liberal, justo e compassivo. Do que me podem acusar? — Então Minos lhe disse: Não se te reprova nada em relação aos homens, mas não devias menos aos homens do que aos deuses?

Qual, é, pois, essa justiça de que te vanglorias? Não faltaste com nenhum dever no tocante aos homens, que nada são. Foste virtuoso, mas referiste toda a tua virtude a ti mesmo e não aos deuses, que a concederam a ti, por que querias gozar os frutos da tua própria virtude, vangloriando-te em ti mesmo: foste a tua própria divindade. Mas os deuses, que tudo fizeram unicamente por si mesmos não podem renunciar aos seus direitos. Tu os esquecestes, eles te esqueceram. Eles te entregaram a ti mesmo, desde que preferiste ser de ti mesmo e não deles.

Procura, pois, agora, se puderes, o teu consolo em teu próprio coração. Estás agora, para sempre, separado dos homens aos quais querias agradar. Estás sós diante de ti, que eras o teu ídolo. Compreende que não existe verdadeira virtude sem o respeito e o amor aos deuses, aos quais tudo deves.

Tua falsa virtude, que por muito tempo ofuscou os homens fáceis de enganar, vai ser confundida. Os homens, considerando os vícios e as virtudes somente pelo que os toca ou os agrada, são cegos para o verdadeiro bem e o verdadeiro mal. Mas aqui uma luz divina inverte todos os julgamentos superficiais. Frequentemente é condenado aquilo que eles admiram e justificavam o que eles condenam.

A essas palavras, o filósofo, como ferido por um raio não podia conter-se. A satisfação que havia tido outrora ao apreciar a sua própria moderação, a sua coragem e as suas tendências generosas transformou-se em desespero. A visão do seu próprio coração, inimigo dos deuses, tornou-se um suplício. Ele se via a si mesmo e não podia deixar de fazê-lo. Via a vaidade das apreciações dos homens, aos quais ele quis sempre agradar em todas as suas ações. Havia uma revolução geral em tudo o que se encontrava no seu íntimo, como se alguém revirasse todas as suas entranhas. Ele não era mais o mesmo. Seu coração negava-lhe todo o apoio. Sua consciência, cujo julgamento lhe havia sido tão favorável, voltou-se contra ele reprovando amargamente o desvirtuamento e o engano de todas as suas virtudes, que não tiveram o culto da divindade por princípio e por fim. Estava perturbado, consternado, cheio de vergonha, de remorsos e de desespero. As fúrias não o atormentavam porque era bastante entregá-lo a si mesmo, pois o seu próprio coração vingava suficientemente os deuses desprezados. Procurou os lugares mais sombrios para se ocultar dos outros mortos, já que não podia ocultar-se a si mesmo. Procurou as trevas e não pode encontrá-las, pois uma luz importuna o seguia por toda parte, os raios penetrantes da verdade vingam sem cessar a verdade que ele negligenciou ao invés de seguir.

Tudo o que ele amava se tornava odioso, como sendo a própria fonte de seus males, que não mais poderiam acabar. Disse a si mesmo: Oh insensato! então não conheci os deuses, nem os homens e nem a mim mesmo! Não, nada conheci, desde que nunca amei a única verdade e o verdadeiro bem. Todos os meus passos foram extraviados. Minha sabedoria não era mais que loucura. Minha virtude, um orgulho ímpio e cego. Fui o meu próprio ídolo.

Por fim Telêmaco viu os reis condenados por terem abusado do poder. De um lado uma Fúria vingadora lhes mostrava um espelho em que viam a monstruosidade dos seus próprios vícios. Viam e não podiam deixar de ver sua grosseira vaidade e sua avidez dos mais ridículos louvores; sua dureza para com os homens, que tinham o dever de fazer felizes; sua insensibilidade para a virtude; seu temor de ouvir a verdade; sua inclinação para as criaturas pusilânimes e bajuladoras; sua irresponsabilidade; sua indolência; sua desconfiança excessiva; seu fausto e demasiada magnificência baseadas nas ruínas dos povos; sua ambição que os levava a conquistar o mínimo de vanglória com o sangue dos cidadãos; enfim, sua crueldade de procurar cada dia novas emoções por entre as lágrimas e o desespero de tantos infelizes.

Eles se viam nesse espelho permanentemente. Viam-se mais horríveis e mais monstruosos do que a Quimera vencida por Belerofonte ou a Hidra de Lema abatida por Hércules, ou mesmo Cérbero vomitando por suas três güelas escancaradas um sangue negro e venenoso capaz de empestar toda a raça dos mortais que vivem na Terra.

De outro lado e ao mesmo tempo outra Fúria lhes repetia de maneira insultuosa todos os louvores que os aduladores lhes fizeram em vida e mostravam-lhes outro espelho, no qual eles se viam tais como os aduladores os haviam pintado. A contradição desses dois quadros tão opostos constituía um suplício para a sua vaidade. Notava-se que os piores entre esses reis eram os que haviam recebido as homenagens mais magnificentes durante a vida, porque os maus são mais temidos que os bons e exigem sem pudor as mentirosas reverências dos poetas e dos oradores do seu tempo.

Ouviam-se os seus gemidos na profundeza das trevas, onde eles não podiam perceber outra coisa além dos insultos e das ironias que deviam sofrer. Nada tinham ao seu redor que não os repelisse e contradissesse confundindo-os, enquanto na terra se aproveitavam da vida dos homens, supondo que todos existiam somente para os servir.

No Tártaro eles são entregues aos caprichos de alguns escravos que os submetem por sua vez a uma servidão cruel. Têm de servir sofrendo e não lhes resta nenhuma esperança de poder abrandar jamais o seu cativeiro. Ficam sujeitos aos golpes desses escravos, transformados em seus tiranos impiedosos, como uma forja sobre os golpes dos martelos dos Ciclopes, quando Vulcano os apresa no trabalho dentro das ardentes fornalhas do monte Etna.

Telêmaco viu então semblantes, pálidos, consternados e hediondos. É que uma tristeza negra corrói esses criminosos. Eles têm horror de si mesmos e não podem livrar-se desse horror como se ele pertencesse à sua própria natureza. Não necessitam assim, de outro castigo para as suas faltas do que as suas próprias faltas que vêem sem cessar em toda a sua enormidade, apresentando-se a eles como horríveis espectros que os perseguem. Para se livrarem disso buscam uma outra morte mais poderosa que aquela que os separou dos seus corpos.

No desespero em que se encontram, esses reis clamam pelo socorro de uma morte que pudesse extinguir neles todo o sentimento e toda a consciência. Pedem aos abismos que os traguem para escaparem aos raios vingadores da verdade que os perseguem, mas estão condenados à vingança que se destila sobre eles gota a gota e que jamais cessará. A verdade que e/es temiam ver é agora o seu suplício. Eles a vêem e só têm olhos para vê-la erguendo-se contra eles. Essa visão os trespassa, os destrói, os arranca de si mesmos. É como um raio que sem nada destruir ao redor penetra até o mais fundo das suas entranhas.

Entre essas coisas que lhe faziam eriçar os cabelos, Telêmaco viu muitos antigos reis da Lídia que eram punidos por terem preferido os deleites de uma vida folgazã ao trabalho para melhoria dos povos, que deve ser inseparável da realeza.

Os reis reprovavam uns aos outros a sua própria cegueira. Um dizia a outro que tinha sido seu filho: — Não te recomendei frequentemente, durante a minha velhice e antes de morrer, que reparasses os males que pratiquei na minha negligência? — Ah, infeliz pai! — Dizia o filho, — foste tu que me perdeste. Foi o vosso exemplo que me sugeriu o fausto, o orgulho, a voluptuosidade e a dureza de coração para com os homens!

Vendo-te reinar com tanta displicência e cercado de covardes aduladores, habituei-me ao gosto da lisonja e dos prazeres. Acreditei que o resto dos homens eram para os reis o que são os cavalos e outros animais de carga para a humanidade em geral, ou seja, esses animais aos quais não se dá importância, querendo apenas que prestem serviços e proporcionem comodidades. Acreditei nisso, e foste tu que me fizeste acreditar. Hoje estou sofrendo todos estes males por te haver imitado. A essas recriminações juntavam as mais horríveis maldições e pareciam prestes a se entredevorarem de raiva.

Ao redor dos reis volteavam ainda, como morcegos noturnos, as mais cruéis suspeitas, os falsos receios, as desconfianças que são as vinganças dos povos contra a maldade de seus reis, sua insaciável fome de riquezas, a falsidade de sua glória sempre baseada na tirania e a covarde displicência que aumenta os males do povo sem lhes proporcionar jamais a compensação das necessidades satisfeitas.

Viam-se muitos desses reis severamente punidos, não pelos males que haviam praticado, mas por terem negligenciado o bem que deviam fazer. Todos os crimes dos povos, que decorrem da negligência na observação das leis, eram imputados aos reis que deviam ter como seu ministério fazer que as leis reinassem.

Todas as desordens provenientes dos excessos de fausto, do luxo e de todos os demais abusos que lançam os homens na violência e na tentação de desprezar as leis para se enriquecerem, eram também imputadas aos reis. Eram tratados sobretudo com rigor os que em lugar de serem bons e vigilantes pastores dos povos só haviam pensado em devorar o rebanho como lobos insaciáveis.

Mas o que mais consternava Telêmaco era ver, nesse abismo de trevas e maldades, grande número de reis que haviam passado pela terra como soberanos muito bons e estavam condenados às penas do Tártaro por se terem deixado governar por homens maus e hipócritas. Esses eram punidos pelos males que haviam permitido que fossem feitos sob a sua autoridade.

De resto, a maioria desses reis não haviam sido bons nem maus, tamanha era a sua fraqueza. Jamais haviam receado conhecer a verdade, pois não possuíam o gosto da virtude e nunca sentiram o prazer de praticar o bem.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Curso On-line para Educador e Evangelizador - Revista Pedagógica Espírita



Inscrições: Site Pedagogia Espírita

Fonte: Revista Pedagógica Espírita

Mensagem Espírita - Indagação Oportuna - Site da Federação Espírita Brasileira

Indagação Oportuna

*

"Disse-lhes: - Recebestes vós o Espírito Santo quando crestes?" - (ATOS: 19:2).

 
A pergunta apostólica vibra ainda em todas as direções, com a maior oportunidade, nos círculos do Cristianismo.
Em toda parte, há pessoas que começam a crer e que já crêem, nas mais variadas situações.
Aqui, alguém aceita aparentemente o Evangelho para ser agradável às relações sociais.
Ali, um indagador procura o campo da fé, tentando acertar problemas intelectuais que considera importantes.
Além, um enfermo recebe o socorro da caridade e se declara seguidor da Boa Nova, guiando-se pelas impressões de alívio físico.
Amanhã, todavia, ressurgem tão insatisfeitos e tão desesperados quanto antes.
Nos arraiais do Espiritismo, tais fenômenos são freqüentes.
Encontramos grande número de companheiros que se afirmam pessoas de fé, por haverem identificado a sobrevivência de algum parente desencarnado, porque se livraram de alguma dor de cabeça ou porque obtiveram solução para certos problemas da luta material;
contudo, amanhã prosseguem duvidando de amigos espirituais e de médiuns respeitáveis, acolhem novas enfermidades ou se perdem através de novos labirintos do aprendizado humano.
A interrogação de Paulo continua cheia de atualidade.
Que espécie de espírito recebemos no ato de crer na orientação de Jesus?
O da fascinação?
O da indolência?
O da pesquisa inútil?
O da reprovação sistemática às experiências dos outros?
Se não abrigamos o espírito de santificação que nos melhore e nos renove para o Cristo, a nossa fé representa frágil candeia, suscetível de apagar-se ao primeiro golpe de vento.


Do livro FONTE VIVA
FRANCISCO CANDIDO XAVIER
DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL

Grupo de Estudos Espíritas On-line CEACLUZ - Obras Básicas - A Gênese - 11.07.2011


Grupo de Estudos Espíritas On-line CEACLUZ

Obras Básicas  - 9º Tema

A Gênese


Da natureza divina

8.            - Não é dado ao homem sondar a natureza íntima de Deus. Para compreendê-Lo, ainda nos falta o sentido próprio, que só se adquire por meio da completa depuração do Espírito. Mas, se não pode penetrar na essência de Deus, o homem, desde que aceite como premissa a sua existência, pode, pelo raciocínio, chegar a conhecer-lhe os atributos necessários, porquanto, vendo o que ele absolutamente não pode ser, sem deixar de ser Deus, deduz daí o que ele deve ser.

Sem o conhecimento dos atributos de Deus, impossível seria compreender-se a obra da criação. Esse o ponto de partida de todas as crenças religiosas e é por não se terem reportado a isso, como ao farol capaz de as orientar, que a maioria das religiões errou em seus dogmas. As que não atribuíram a Deus a onipotência imaginaram muitos deuses; as que não lhe atribuíram soberana bondade fizeram dele um Deus cioso, colérico, parcial e vingativo.

9.            - Deus é a suprema e soberana inteligência. É limitada a inteligência do homem, pois que não pode fazer, nem compreender tudo o que existe. A de Deus abrangendo o infinito, tem que ser infinita. Se a supuséssemos limitada num ponto qualquer, poderíamos conceber outro ser mais inteligente, capaz de compreender e fazer o que o primeiro não faria e assim por diante, até ao infinito.

10.          - Deus é eterno, isto é, não teve começo e não terá fim. Se tivesse tido princípio, houvera saído do nada. Ora, não sendo o nada coisa alguma, coisa nenhuma pode produzir. Ou, então, teria sido criado por outro ser anterior e, nesse caso, este ser é que seria Deus. Se lhe supuséssemos um começo ou fim, poderíamos conceber uma entidade existente antes dele e capaz de lhe sobreviver, e assim por diante, ao infinito.

11.          - Deus é imutável. Se estivesse sujeito a mudanças, nenhuma estabilidade teriam as leis que regem o Universo.

12.          - Deus é imaterial, isto é, a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro modo, não seria imutável, pois estaria sujeito ás transformações da matéria.

Deus carece de forma apreciável pelos nossos sentidos, sem o que seria matéria. Dizemos: a mão de Deus, o olho de Deus, a boca de Deus, porque o homem, nada mais conhecendo além de si mesmo, toma a si próprio por termo de comparação para tudo o que não compreende. São ridículas essas imagens em que Deus é representado pela figura de um ancião de longas barbas e envolto num manto. Têm o inconveniente de rebaixar o Ente supremo até às mesquinhas proporções da Humanidade. Daí a lhe emprestarem as paixões humanas e a fazerem-no um Deus colérico e cioso não vai mais que um passo.

13.          - Deus é onipotente. Se não possuísse o poder supremo, sempre se poderia conceber uma entidade mais poderosa e assim por diante, até chegar-se ao ser cuja potencialidade nenhum outro ultrapassasse. Esse então é que seria Deus.

14.          - Deus é soberanamente justo e bom. A providencial sabedoria das leis divinas se revela nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, não permitindo essa sabedoria que se duvide da sua justiça, nem da sua bondade.

O fato do ser infinita uma qualidade, exclui a possibilidade de uma qualidade contrária, porque esta a apoucaria ou anularia. Um ser infinitamente bom não poderia conter a mais insignificante parcela de malignidade, nem o ser infinitamente mau conter a mais insignificante parcela de bondade, do mesmo modo que um objeto não pode ser de um negro absoluto, com a mais ligeira nuança de branco, nem de um branco absoluto com a mais pequenina mancha preta.

Deus, pois, não poderia ser simultaneamente bom e mau, porque então, não possuindo qualquer dessas duas qualidades no grau supremo, não seria Deus; todas as coisas estariam sujeitas ao seu capricho e para nenhuma haveria estabilidade. Não poderia ele, por conseguinte, deixar de ser ou infinitamente bom ou infinitamente mau. Ora, como suas obras dão testemunho da sua sabedoria, da sua bondade e da sua solicitude, concluir-se-á que, não podendo ser ao mesmo tempo bom e mau sem deixar de ser Deus, ele necessariamente tem de ser infinitamente bom.

A soberana bondade implica a soberana justiça, porquanto, se ele procedesse injustamente ou com parcialidade numa só circunstância que fosse, ou com relação a uma só de suas criaturas, já não seria soberanamente justo e, em consequência, já não seria soberanamente bom.

15. - Deus é infinitamente perfeito. É impossível conceber-se Deus sem o infinito das perfeições, sem o que não seria Deus, pois sempre se poderia conceber um ser que possuísse o que lhe faltasse. Para que nenhum ser possa ultrapassá-lo, faz-se mister que ele seja infinito em tudo.

Sendo infinitos, os atributos de Deus não são suscetíveis nem de aumento, nem de diminuição, visto que do contrário não seriam infinitos e Deus não seria perfeito. Se lhe tirassem a qualquer dos atributos a mais mínima parcela, já não haveria Deus, pois que poderia existir um ser mais perfeito.

16.          - Deus é único. A unicidade de Deus é consequência do fato de serem infinitas as suas perfeições. Não poderia existir outro Deus, salvo sob a condição de ser igualmente infinito em todas as coisas, visto que, se houvesse entre eles a mais ligeira diferença, um seria inferior ao outro, subordinado ao poder desse outro e, então, não seria Deus. Se houvesse entre ambos igualdade absoluta, isso eqüivaleria a existir, de toda eternidade, um mesmo pensamento, uma mesma vontade, um mesmo poder. Confundidos assim, quanto à identidade, não haveria, em realidade, mais que um único Deus. Se cada um tivesse atribuições especiais, um não faria o que o outro fizesse; mas, então, não existiria igualdade perfeita entre eles, pois que nenhum possuiria a autoridade soberana.

17.          - A ignorância do princípio de que são infinitas as perfeições de Deus foi que gerou o politeísmo, culto adotado por todos os povos primitivos, que davam o atributo de divindade a todo poder que lhes parecia acima dos poderes inerentes à Humanidade. Mais tarde, a razão os levou a reunir essas diversas potências numa só. Depois, à proporção que os homens foram compreendendo a essência dos atributos divinos, retiraram dos símbolos, que haviam criado, a crença que implicava a negação desses atributos.

18.          - Em resumo, Deus não pode ser Deus, senão sob a condição de que nenhum outro o ultrapasse, porquanto o ser que o excedesse no que quer que fosse, ainda que apenas na grossura de um cabelo, é que seria o verdadeiro Deus. Para que tal não se dê, indispensável se torna que ele seja infinito em tudo.

É assim que, comprovada pelas suas obras a existência de Deus, por simples dedução lógica se chega a determinar os atributos que o caracterizam.

19.          - Deus é, pois, a inteligência suprema e soberana, é único, eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom, infinito em todas as perfeições, e não pode ser diverso disso.

Tal o eixo sobre que repousa o edifício universal. Esse o farol cujos raios se estendem por sobre o Universo inteiro, única luz capaz de guiar o homem na pesquisa da verdade. Orientando-se por essa luz, ele nunca se transviará. Se, portanto, o homem há errado tantas vezes, é unicamente por não ter seguido o roteiro que lhe estava indicado.

Tal também o critério infalível de todas as doutrinas filosóficas e religiosas. Para apreciá-las, dispõe o homem de uma medida rigorosamente exata nos atributos de Deus e pode afirmar a si mesmo que toda teoria, todo princípio, todo dogma, toda crença, toda prática que estiver em contradição com um só que seja desses atributos, que tenda não tanto a anulá-lo, mas simplesmente a diminuí-lo, não pode estar com a verdade.

Em filosofia, em psicologia, em moral, em religião, só há de verdadeiro o que não se afaste, nem um til, das qualidades essenciais da Divindade. A religião perfeita será aquela de cujos artigos de fé nenhum esteja em oposição àquelas qualidades; aquela cujos dogmas todos suportem a prova dessa verificação sem nada sofrerem.