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sábado, 13 de agosto de 2011

Mensagem Espírita - Lágrimas que ensinam... - Astúrio Passos - Site Recanto das Letras




Lágrimas que ensinam...

Há exatos um ano e três meses uma fatalidade levou para o plano espiritual minha esposa de 34 anos, uma filha de 11 e um filho de 17. A partir de então venho buscando uma maneira de conviver melhor com o terrível sentimento da perda, da saudade, do abandono e outros tantos decorrentes de uma perda dessa magnitude.


Aprendi com a dor. Inicialmente, que o controle que eu tenho sobre os fatos da vida é muito pequeno. Que as grandes mudanças ocorrem sem que eu possa fazer nada. Que em situações como essa minhas credenciais profissionais, minha experiência, minha força física e todos, mas todos mesmo, os recursos de que disponho valem pouco mais do que nada.

Aprendi que minhas lágrimas, meu choro e meu desespero em nada alteram o fato irremediável de que as pessoas que eu amo não retornarão mais ao meu convívio. Não ouvirei suas vozes, não desfrutarei de sua companhia, não ouvirei suas queixas e nada mais poderei fazer por elas.

Nesse momento de dor e de desespero passei a questionar muitas coisas, Deus, a sociedade, o sentido da vida, as pessoas, o bem. Por vezes perdi o gosto pela vida desejando que ela terminasse o mais rápido possível para ver o fim de meu sofrimento.

Como não me restasse mais nada resolvi, ao menos, colaborar com meu processo de superação, não impedindo-o, não atrapalhando-o, não criando obstáculos. Foi então que comecei a desenvolver um certo senso de prioridade que vem me auxiliando desde então.

Não demorei a admitir que a única coisa que me traria de volta a uma vida normal seria a esperança de que isso pudesse realmente acontecer. Passei a buscar a esperança como o principal alimento espiritual para esse momento denominado por muitos de “inverno da alma”.

Passei aos poucos a admitir que embora eu não pudesse mudar os fatos eu poderia mudar minha compreensão sobre os fatos e descobri aí o fio da meada. Comecei a buscar avidamente por tudo o que me pudesse fazer compreender um pouco mais o que me aconteceu.

Rapidamente pude perceber que meu coração ansiava por respostas e que, nessa busca, ora me deparava com respostas satisfatórias, ora com respostas absurdamente ridículas. Passei então a preferir aquelas cujo teor fizesse sentido, que me acalmassem o coração e, acima de tudo, que me restabelecessem a esperança.

Sempre tive muita simpatia por idéias religiosas e até já fiz parte de algumas religiões e como o objeto maior de todas elas é explicar qual é o sentido da vida, busquei nelas o tal sentido. Aprendi que todas elas possuem respostas, mas que a satisfação com as respostas dadas depende diretamente daquilo que estamos buscando.

Se o que busco saber resta satisfeito nesta ou naquela religião, ótimo, essa é a religião certa. Mas se em meu coração as respostas que encontro não me trazem esperança ou não satisfazem meu grau de inteligência significa que devo continuar procurando até achar, é certo que, por existirem tantas, alguma irá atender meu grau de consciência.


No meu caso, com formação católica, tendo sido por alguns anos evangélico, com boa leitura sobre religiões orientais, bem como sobre várias religiões conhecidas de todos nós, não tive dificuldades de encontrar algo que me atendesse.

Foi assim que cheguei ao Espiritismo. De repente me senti como um cientista da idade média que já não suportasse mais as explicações religiosas da época ( Santa inquisição, guerra santa, terra plana, geocentrismo etc) e se deparasse com o iluminismo científico do Século XIII. De repente encontrei uma religião que se dispôs a avaliar o fenômeno espiritual sob a ótica do questionamento, da razão, do estudo científico desses fenômenos.

Allan Kardec, codificador do Espiritismo, representou para a religiosidade mundial o que um Rousseau representou no campo da política, ou o que um Augusto Comte representou no campo da sociologia.

A leitura das obras básicas como “O Livro dos Espíritos” e o “Evangelho Segundo o Espiritismo” são de uma clareza singular, obras verdadeiramente capazes de modificar nossa visão sobre a vida, sobre Deus, sobre o significado da morte. Não creio ter encontrado todas as respostas, mas as que encontrei estão me auxiliando a me tornar um ser humano melhor.

Convido você leitor, àvido de respostas, a lê-las!


Astúrio Passos

Mensagem Espírita - Ser pai - Site Momento Espírita



Ser Pai


Ser pai é ser especial. É, na masculinidade, guardar doçura.



É ser homem e ser afetuoso.



Ser pai é, sendo administrador, administrar tão bem o tempo, que nunca faltem minutos para atender o telefonema do filho, com atenção. Um telefonema que fale do entusiasmo dele por ter conseguido fazer um gol para o seu time, na escola.



Ser pai é não se afogar no mar dos negócios, mesmo que na sua qualidade de executivo, muitas sejam as horas que a profissão lhe exija.



É, sendo lavrador, preparar a terra do coração do filho para receber as sementes do bem, regando-as todos os dias com o seu carinho, demonstrando, na prática, que nenhuma tarefa é mais importante do que a que tenha a ver com os sentimentos das criaturas.



Ser pai é, sendo músico, ter sensibilidade suficiente para colocar, no pentagrama da vida do seu filho, as mais sublimes notas da compreensão, da tolerância e do amor.



Sendo poeta, escrever as mais belas rimas da ternura com os versos simples do companheirismo e da alegria.



Ser pai é, na qualidade de mecânico hábil, estar apto a consertar os estragos que alheias ideias possam estabelecer na estrutura delicada do caráter do seu filho. É saber utilizar com maestria as ferramentas de precisão, aferindo oportunidade e valores para as lições que o conduzirão na vida.



Ser pai é, como escultor habilidoso, esculpir formas mais primorosas no caráter do filho.



Como instrutor, ministrar-lhe as lições da sua experiência pessoal, e falar-lhe das lições imortais da vida maior.



Ser pai é,  sendo motorista, não esquecer de que deve dirigir a vida do seu filho para a rota segura do dever, a fim de o transformar em um cidadão honrado e um homem de bem.



Ser pai é, sendo magistrado, saber julgar com imparcialidade as traquinagens do seu rebento, analisando todos os fatos e dispondo-se a ouvir todas as partes envolvidas, a fim de sentenciar com justiça.



Ser pai é, sendo médico, ter a notabilidade de um cirurgião para, no tempo certo, realizar a cirurgia de profundidade, descobrindo nas entranhas do Espírito, as tendências do filho e as trabalhar, burilando-as.



Ser pai é, sendo enfermeiro, não esquecer de colocar curativos nos machucados do joelho, do cotovelo e providenciar medicamento apropriado para coração partido pela dor da primeira desilusão de amor.



Ser pai é, sendo ator, deixar de brilhar tanto nos palcos do mundo para se apresentar à restrita plateia de um garoto que o espera, todos os dias, para assistir a sua encenação da mais bela peça teatral, a da paternidade.



Ser pai é, sendo cantor, modular a voz e criar canções de ninar para embalar o filho cansado das brincadeiras do dia.



Ser pai é, sendo desportista, ter braços rijos para suspender o filho com firmeza, abraçá-lo com vigor e lhe segredar ao coração: Te amo muito.



*   *   *



Existem homens que almejam missões surpreendentes. Existem outros que sonham com conquistas extraordinárias.



Existem os que planejam ter sobre si os olhos do mundo.



No entanto, a missão mais surpreendente, a conquista mais extraordinária é a da paternidade responsável.



E o olhar mais importante é de um pequeno que  espera, ao final do dia, na porta de



Redação do Momento Espírita.



Disponível no CD Momento Espírita, v. 19, ed. Fep.



Em 12.08.2011.



Mensagem Espírita - Atitudes na vida - Site Gotas de Paz


Atitudes na vida 



Atitude é aquilo que necessitamos ter diante da vida.

Toda vez que estivermos vivendo uma situação difícil é preciso ter atitude positiva.

Quando procuramos enxergar nas dificuldades uma oportunidade de crescimento já estamos aprendendo algo e, ao final da tempestade veremos quanto ensinamento teremos aprendido.

Ao contrário, se nos fecharmos para vida, só vendo o aspecto negativo das coisas e das situações, tudo parecerá mais difícil e penoso.

 Então, meus irmãos, tudo é uma questão de atitude.

 Procurem sempre trabalhar a sua renovação interior com atitudes positivas.

Deixe para trás a tristeza e a dor que já passaram e tome uma atitude amorosa para com a vida e esta maravilhosa oportunidade que Deus lhe deu.

Perceba no seu dia a dia que as suas mudanças de atitude vai se refletir no seu bem estar e daqueles que se aproximam de você.

Em vez de lamentar uma situação difícil em um ambiente, seja no lar, no trabalho ou em qualquer lugar que esteja, seja você a tomar uma atitude pelo bem de todos, faça uma prece com o coração e verá que as vibrações irão se modificando e o bem estar ficará mais fácil de se fazer a todos.

 Trabalha sempre, pois esta é a atitude que nunca deveis negligenciar, mas trabalhe com amor, muito amor!!!



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Mensagem Espírita - Consegues ir? - Federação Espírita Brasileira

CONSEGUES IR?


*







"Vinde a mim..."
- Jesus. (MATEUS, 11 :28.)

     O crente escuta o apelo do Mestre, anotando abençoadas consolações. O doutrinador repete-o para comunicar vibrações de conforto espiritual aos ouvintes.
     Todos ouvem as palavras do Cristo, as quais insistem para que a mente inquieta e o coração atormentado lhe procurem o regaço refrigerante...
     Contudo, se é fácil ouvir e repetir o "vinde a mim" do Senhor, quão difícil é "ir para Ele!"
     Aqui, as palavras do Mestre se derramam por vitalizante bálsamo, entretanto, os laços da conveniência imediatista são demasiado fortes; além, assinala-se o convite divino, entre promessas de renovação para a jornada redentora, todavia, o cárcere do desânimo isola o espírito, através de grades resistentes; acolá, o chamamento do Alto ameniza as penas da alma desiludida, mas é quase impraticável a libertação dos impedimentos constituídos por pessoas e coisas, situações e interesses individuais, aparentemente
inadiáveis.
     Jesus, o nosso Salvador, estende-nos os braços amoráveis e compassivos. Com ele, a vida enriquecer-se-á de valores imperecíveis e à sombra dos seus ensinamentos celestes seguiremos, pelo trabalho santificante, na direção da Pátria Universal...
     Todos os crentes registram-lhe o apelo consolador, mas raros se revelam suficientemente valorosos na fé para lhe buscarem a companhia. Em suma, é muito doce escutar o "vinde a mim"...
     Entretanto, para falar com verdade, já consegues ir?

Do livro FONTE VIVA
FRANCISCO CANDIDO XAVIER
DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Mensagem Espírita - Meu herói - Site Momento Espírita



Meu Herói


Meu herói. Este é o nome de matéria de uma revista de circulação nacional, que apresentou ao público relatos muito valiosos.



Abaixo do título do artigo veio escrito:



Todo mundo tem um ídolo assim: em vez de voar ou soltar raios, seu superpoder é o de repassar valores que moldam nosso caráter e nos acompanham pela vida inteira.



Em seguida, as jornalistas apresentam diversos relatos de pessoas falando sobre seus ídolos especiais - esses heróis que lhes deixaram uma contribuição imensurável para a vida.



Deixaram bons exemplos, bons valores. Deixaram uma referência de conduta que lhes permitiu passar pela vida com maior segurança.



Os relatos são belíssimos, singelos, emocionantes.



Um deles, de uma menina de 18 anos, dizia assim:



Meu avô abandonou a família quando meu pai tinha 5 anos. Tempos depois, apareceu em nossa casa, velho e doente.



Meu pai cuidou dele até a morte. Naquele dia, jurei fazer o mesmo: nunca abandonar esse homem tão generoso: meu pai, meu exemplo, meu herói.



Percebamos a beleza desta breve narrativa. Imaginemos que exemplo esse pai está deixando para as próximas gerações!



Um exemplo de amor, de dedicação, de perdão.



Filhos criados em lares que lhes apresentam estas referências elevadas, honrosas, têm muito mais chance de se tornarem homens e mulheres de bem.



Os pais da nova era precisam ter esta vontade de se tornarem heróis para seus filhos, heróis da dignidade, da honestidade, da fraternidade.



Se os filhos encontram seus ídolos dentro do lar, quem sabe possam ser menos influenciados pelos ídolos do momento, pelos ícones instantâneos dos dias atuais, tão perigosos.



Se é natural que as crianças, que os adolescentes e jovens imitam aquilo que julgam interessante, que esta imitação possa ter, no seio da família, uma fonte inesgotável e de qualidade superior.



Depois da vontade, precisam ter o esforço e a abnegação, pois para ser herói de verdade é preciso se dedicar, planejar as ações. Construir em casa uma fonte de boas referências em tudo.



O exemplo vivenciado entre as paredes de um lar possui uma força inimaginável, na construção do caráter da alma infantil.



Não se exige perfeição dos progenitores, de forma alguma. Aliás: a constatação das falhas, das deficiências também é parte importante da construção de um herói.



Heróis não são seres perfeitos: são seres que buscam a perfeição, dia após dia, batalha após batalha.



Que os pais possam ter em mente este objetivo: de deixarem, a cada dia, ano após ano, um jardim de boas referências a seus filhos.



Tais exemplos terão a força de modificar as próximas gerações, pois se forem fortes o suficiente, se marcarem a vida dos filhos, certamente seguirão na direção de netos, bisnetos, etc.



Que os pais deixem belas histórias, belas lembranças, que serão sempre um grande farol a guiar os filhos nos momentos de dificuldade.



Estes são os heróis dos novos tempos: os homens e mulheres de bem que deixarão o legado dos exemplos inesquecíveis, das lições que jamais se poderá olvidar.

Redação do Momento Espírita com base em matéria de Ana Luísa Vieira e Juliana Dias, da revista Sorria, de abril/maio 2011.



Em 11.08.2011.

Fonte: Site Momento Espírita

Mnesagem Espírita - Semente - Site da Federação Espírita Brasileira

SEMENTE

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“E, quando semeias, não semeias o corpo que há de nascer, mas o simples grão de trigo ou de outra qualquer semente.” Paulo. (1ª EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS, CAPÍTULO 15, VERSÍCULO 37.)


Nos serviços da Natureza, a semente reveste-se, aos nossos olhos, do sagrado papel de sacerdotisa do Criador e da Vida.
 Gloriosa herdeira do poder divino, coopera na evolução do mundo e transmite silenciosa e sublime lição, tocada de valores infinitos, à criatura.
 Exemplifica sabiamente a necessidade dos pontos de partida, as requisíções justas de trabalho, os lugares próprios, os tempos adequados.
Há homens inquietos e insaciados que ainda não conseguiram compreendê-la. Exigem as grandes obras de um dia para outro, impõem medidas tirânicas pela força das ordenações ou das armas ou pretendem trair as leis profundas da Natureza; aceleram os processos da ambição, estabelecem domínio transitório, alardeiam mentirosas conquistas, incham-se e caem, sem nenhuma edificação santificadora para si ou para outrem.
Não souberam aprender com a semente minúscula que lhes dá trigo ao pão de cada dia e lhes garante a vida, em todas as regiões de luta planetária.
 Saber começar constitui serviço muito importante.
 No esforço redentor, é indispensável que não se percam de vista as possibilidades pequeninas: um gesto, uma palestra, uma hora, uma frase pode representar sementes gloriosas para edificações imortais. Imprescindível, pois, jamais desprezá-las.


Do livro Pão Nosso

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Mensagem Espírita - Salários - Site da Federação Espírita Brasileira

SALÁRIOS


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“E contentai-vos com o vosso soldo.” — João Batista. (LUCAS, CAPÍTULO 3, VERSÍCULO 14.)

A resposta de João Batista aos soldados, que lhe rogavam esclarecimentos, é modelo de concisão de bom senso.
Muita gente se perde através de inextricáveis labirintos, em virtude da compreensão deficiente acerca dos problemas de remuneração na vida comum.
Operários existem que reclamam salários devidos a ministros, sem cogitarem das graves responsabilidades que, não raro, convertem os administradores do mundo em vítimas da inquietação e da insônia, quando não seja em mártires de representações e banquetes.
 
Há homens cultos que vendem a paz do lar em troca da dilatação de vencimentos.
 Inúmeras pessoas seguem, da mocidade à velhice do corpo, ansiosas e descrentes, enfermas e aflitas, por não se conformarem com os ordenados mensais que as circunstâncias do caminho humano lhes assinalam, dentro dos imperscrutáveis Desígnios.
 Não é por demasia de remuneração que a criatura se integrará nos quadros divinos.
 Se um homem permanece consciente quanto aos deveres que lhe competem, quanto mais altamente pago, estará mais intranqüilo.
 Desde muito, esclarece a filosofia popular que para a grande nau surgirá a grande tormenta.
 Contentar-se cada servidor com o próprio salário é prova de elevada compreensão, ante a justiça do Todo-Poderoso. Antes, pois, de analisar o pagamento da Terra, habitua-te a valorizar as concessões do Céu.


Do livro Pão Nosso

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Mensagem Espírita - Homens de Fé - Site da Federação Espírita Brasileira

HOMENS DE FÉ


*





“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha.” — Jesus. (MATEUS, CAPÍTULO 7, VERSÍCULO 24.)

Os grandes pregadores do Evangelho sempre foram interpretados à conta de expressões máximas do Cristianismo, na galeria dos tipos veneráveis da fé; entretanto, isso somente aconteceu, quando os instrumentos da verdade, efetivamente, não olvidaram a vigilância indispensável ao justo testemunho.

É interessante verificar que o Mestre destaca, entre todos os discípulos, aquele que lhe ouve os ensinamentos e os pratica. Daí se conclui que os homens de fé não são aqueles apenas palavrosos e entusiastas, mas os que são portadores igualmente da atenção e da boa-vontade, perante as lições de Jesus, examinando-lhes o conteúdo espiritual para o trabalho de aplicação no esforço diário.

Reconforta-nos assinalar que todas as criaturas em serviço no campo evangélico seguirão para as maravilhas interiores da fé. Todavia, cabe-nos salientar, em todos os tempos, o subido valor dos homens moderados que, registrando os ensinos e avisos da Boa Nova, cuidam, desvelados, da solução de todos os problemas do dia ou da ocasião, sem permitir que suas edificações individuais se processem, longe das bases cristãs imprescindíveis.

Em todos os serviços, o concurso da palavra é sagrado e indispensável, mas aprendiz algum deverá esquecer o sublime valor do silêncio, a seu tempo, na obra superior do aperfeiçoamento de si mesmo, a fim de que a ponderação se faça ouvida, dentro da própria alma, norteando-lhe os destinos.



Do livro Pão Nosso

Mensagem Espírita - Gratidão com os pais - Site Gotas de Paz




Gratidão com os pais



São muitas as dificuldades encontradas para a aproximação entre pais e filhos, os pensamentos não batem, as cobranças são constantes entre ambos e a falta do diálogo sincero e verdadeiro, faz com que essa relação tome um distanciamento ainda maior.

 Mas esse distanciamento pode ser revertido a qualquer momento, basta que sejamos mais compreensivos e mais tolerantes, colocando sempre o respeito por nossos pais em primeiro lugar.

Não podemos esquecer que se estamos aqui é porque nossos pais nos deram essa oportunidade e devemos ser gratos a eles por estarmos no aprendizado da vida.

Procure sempre avaliar seus pais pelo que eles representam em sua vida e não pelo que eles podem lhe proporcionar, essa convivência fará de você uma pessoa melhor, porque é com seus pais que você pode desenvolver seus melhores sentimentos de amor e gratidão.

 Não deixe que o egoísmo e o orgulho afastem você de seus pais, não se envergonhe de dar um abraço e dizer que os ama, agradeça sempre todos os dias à oportunidade de ser filho deles.

Tenha sempre a gratidão como palavra de ordem com seus pais e veja o quanto a sua relação com eles pode melhorar, plante todos os dias no coração de seus pais a sua gratidão, transmitindo a eles todo o seu afeto e carinho por eles existirem em sua vida, demonstre em gestos toda a gratidão que tem por eles e seja imensamente feliz com seus pais.

Artigo Espírita - Vontade e Evolução - Léon Denis - Site O Espiritismo


Vontade e Evolução




Autor: Léon Denis. Livro: O Problema do Ser, do Destino e da Dor



Querer é poder! O poder da vontade é ilimitado. O homem, consciente de si mesmo, de seus recursos latentes, sente crescerem suas forças na razão dos esforços. Sabe que tudo o que de bem e bom desejar há de, mais cedo ou mais tarde, realizar-se inevitavelmente, ou na atualidade ou na série das suas existências, quando seu pensamento se puser de acordo com a Lei divina. E é nisso que se verifica a palavra celeste: "A fé transporta montanhas."



Não é consolador e belo poder dizer: "Sou uma inteligência e uma vontade livres; a mim mesmo me fiz, inconscientemente, através das idades; edifiquei lentamente minha individualidade e liberdade e agora conheço a grandeza e a força que há em mim. Amparar-me-ei nelas; não deixarei que uma simples dúvida as empane por um instante sequer e, fazendo uso delas com o auxílio de Deus e de meus irmãos do espaço, elevar-me-ei acima de todas as dificuldades; vencerei o mal em mim; desapegar-me- ei de tudo o que me acorrenta às coisas grosseiras para levantar o vôo para os mundos felizes!"



Vejo claramente o caminho que se desenrola e que tenho de percorrer. Esse caminho atravessa a extensão ilimitada e não tem fim; mas, para guiar-me na estrada infinita, tenho um guia seguro, a compreensão da lei de vida, progresso e amor que rege todas as coisas; aprendi a conhecer-me, a crer em mim e em Deus. Possuo, pois, a chave de toda elevação e, na vida imensa que tenho diante de mim, conservar-me-ei firme, inabalável na vontade de enobrecer-me e elevar-me, cada vez mais; atrairei, com o auxílio de minha inteligência, que é filha de Deus, todas as riquezas morais e participarei de todas as maravilhas do Cosmo.



Minha vontade chama-me: "Para frente, sempre para frente, cada vez mais conhecimento, mais vida, vida divina!" E com ela conquistarei a plenitude da existência, construirei para mim uma personalidade melhor, mais radiosa e amante. Saí para sempre do estado inferior do ser ignorante, inconsciente de seu valor e poder; afirmo-me na independência e dignidade de minha consciência e estendo a mão a todos os meus irmãos, dizendo- lhes:



Despertai de vosso pesado sono; rasgai o véu material que vos envolve, aprendei a conhecer-vos, a conhecer as potências de vossa alma e a utilizá-las. Todas as vozes da Natureza, todas as vozes do espaço vos bradam: "Levantai-vos e marchai! Apressai-vos para a conquista de vossos destinos!"



A todos vós que vergais ao peso da vida, que, julgando-vos sós e fracos, vos entregais à tristeza, ao desespero, ou que aspirais ao nada, venho dizer: "O nada não existe; a morte é um novo nascimento, um encaminhar para novas tarefas, novos trabalhos, novas colheitas; a vida é uma comunhão universal e eterna que liga Deus a todos os seus filhos."



A vós todos, que vos credes gastos pelos sofrimentos e decepções, pobres seres aflitos, corações que o vento áspero das provações secou; Espíritos esmagados, dilacerados pela roda de ferro da adversidade, venho dizer-vos:



Não há alma que não possa renascer, fazendo brotar novas florescências. Basta-vos querer para sentirdes o despertar em vós de forças desconhecidas. Crede em vós, em vosso rejuvenescimento em novas vidas; crede em vossos destinos imortais. Crede em Deus, Sol dos sóis, foco imenso, do qual brilha em vós uma centelha, que se pode converter em chama ardente e generosa!



Sabei que todo homem pode ser bom e feliz; para vir a sê-lo basta que o queira com energia e constância. A concepção mental do ser, elaborada na obscuridade das existências dolorosas, preparada pela vagarosa evolução das idades, expandir-se-á à luz das vidas superiores e todos conquistarão a magnífica individualidade que lhes está reservada.



Dirigi incessantemente vosso pensamento para esta verdade: podeis vir a ser o que quiserdes. E sabei querer ser cada vez maiores e melhores. Tal é a noção do progresso eterno e o meio de realizá-lo; tal é o segredo da força mental, da qual emanam todas as forças magnéticas e físicas. Quando tiverdes conquistado esse domínio sobre vós mesmos, não mais tereis que temer os retardamentos nem as quedas, nem as doenças, nem a morte; tereis feito de vosso eu inferior e frágil uma alta e poderosa individualidade!








segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Mensagem Espírita - Educa - Site da Federação Espírita Brasileira


EDUCA



*







"Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós ?" - Paulo. (I CORINTIOS, 3: 16.)

Na semente minúscula reside o germe do tronco benfeitor.
No coração da terra, há melodias da fonte.
No bloco de pedra, há obras-primas de estatuária.
Entretanto, o pomar reclama esforço ativo.
A corrente cristalina pede aquedutos para transportar-se imaculada.
A jóia de escultura pede milagres do buril.
Também o espírito traz consigo o gene da Divindade.
Deus está em nós, quanto estamos em Deus.
Mas, para que a luz divina se destaque da treva humana, é necessário que os processos educativos da vida nos trabalhem no empedrado caminho dos milênios.
Somente o coração enobrecido no grande entendimento pode vazar o heroísmo santificante.
Apenas o cérebro cultivado pode produzir iluminadas formas de pensamento.
Só a grandeza espiritual consegue gerar a palavra equilibrada, o verbo sublime e a voz consoladora.
Interpretemos a dor e o trabalho por artistas celestes de nosso aperfeiçoamento.
Educa e transformarás a irracional idade em inteligência, a inteligência em humanidade e a humanidade em angelitude.
Educa e edificarás o paraíso na Terra.
Se sabemos que o Senhor habita em nós, aperfeiçoemos a nossa vida, a fim de manifestá-lo.


Do livro FONTE VIVA
FRANCISCO CANDIDO XAVIER
DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL

Fonte: FEB - FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA - FEB - Federação Espírita Brasileira - SGAN 603 - Conjunto F - Av. L2 Norte - Brasília - DF - CEP 70.830-030 - Telefone: (61) 2101 6161

domingo, 7 de agosto de 2011

Mensagem Espírita -

NA OBRA REGENERATIVA
*




"Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa vós, que sois espirituais, orientai-o com espírito de mansidão, velando por vós mesmos para que não sejais igualmente tentados." - Paulo. (GÁLATAS, 6:1.)
     

Se tentamos orientar o irmão perdido nos cipoais do erro, com aguilhões de cólera, nada mais fazemos que lhe despertar a ira contra nós mesmos.

 Se lhe impusermos golpes, revidará com outros tantos.

 Se lhe destacamos as falhas, poderá salientar os nossos gestos menos felizes.

 Se opinamos para que sofra o mesmo mal com que feriu a outrem, apenas aumentamos a percentagem do mal, em derredor de nós.

Se lhe aplaudimos a conduta errônea, aprovamos o crime.

 Se permanecemos indiferentes, sustentamos a perturbação.

 Mas se tratarmos o erro do semelhante, como quem cogita de afastar a enfermidade de um amigo doente, estamos, na realidade, concretizando a obra regenerativa.

 Nas horas difíceis, em que vemos um companheiro despenhar-se nas sombras interiores, não olvidemos que, para auxiliá-lo, é tão desaconselhável a condenação, quanto o elogio.

 Se não é justo atirar petróleo às chamas, com o propósito de apagar a fogueira, ninguém cura chagas com a projeção de perfume.

Sejamos humanos, antes de tudo.

 Abeiremo-nos do companheiro infeliz, com os valores da compreensão e da fraternidade.

 Ninguém perderá, exercendo o respeito que devemos a todas as criaturas e a todas as coisas.

 Situemo-nos na posição do acusado e reflitamos se, nas condições dele, teríamos resistido às sugestões do mal. Relacionemos as nossas vantagens e os prejuízos do próximo, com imparcialidade e boa intenção.

 Toda vez que assim procedermos, o quadro se modifica nos mínimos aspectos.

 De outro modo será sempre fácil zurzir e condenar, para cairmos, com certeza, nos mesmos delitos, quando formos, por nossa vez, visitados pela tentação.



Do livro FONTE VIVA
FRANCISCO CANDIDO XAVIER
DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL


Artigo Espírita - Criações mentais - Robson Pinheiro - Site Robson Pinheiro

Robson Pinheiro




Criações mentais



Segundo nos relatam as inteligências extrafísicas, o planeta Terra é um organismo vivo e pulsante; interage com as inteligências encarnadas e desencarnadas, as quais irradiam pensamentos ininterruptamente. Esses pensamentos manifestam-se ora como ondas, ora como raios, que partem da fonte geradora e produzem uma espécie de associação, mais ou menos duradoura, com outras imagens mentais ou formas-pensamento. A durabilidade dessa associação é proporcional à qualidade e à intensidade da força que mantém coesos tais pensamentos afins.



Entendemos, a partir daí, que os pensamentos de ordem superior, ao circularem em torno da atmosfera psíquica do planeta, compõem um cinturão de correntes mentais que abastece as inteligências encarnadas e desencarnadas que se sintonizam com elementos dessa natureza.



Assim é que artistas, sensitivos, cientistas, médiuns e todos aqueles que mantêm uma atividade mental superior, desenvolvendo seus raciocínios e buscando inspiração para qualquer tipo de tarefa com objetivos nobres, acabam por se sintonizar com correntes mentais de ordem elevada. Pietro Ubaldi foi provavelmente quem melhor definiu essas associações mentais superiores, denominando as noúres. As noúres refletem os pensamentos de todos os seres elevados, o conhecimento universal, e constituem-se na maior fonte de inspiração superior para os habitantes do planeta Terra. Processo análogo ocorre com os pensamentos considerados inferiores.



Fundamentados em informações dos espíritos e de diversos pesquisadores encarnados, sabemos da capacidade de emissão da mente humana, que se define em termos qualitativos, por meio das vibrações, ou em relação à sua freqüência, que pode ser alta ou baixa. Por outro lado, as ondas formadoras das correntes de pensamento, que circundam a aura magnética dos seres humanos e do planeta, são tão mais fortes quanto mais fortes e elevados forem os pensamentos e sentimentos que se mesclaram no ato mental. Sendo assim, tanto a classificação ou a qualidade quanto a duração das ondas mentais estão subordinadas aos sentimentos e à elevação de intenções ou propósitos da mente geradora. As correntes de pensamento alcançam maior freqü.ncia vibratória à medida que ficam impregnadas do desejo de ajudar, esclarecer, progredir e amar.



Diante do exposto, fica patente que o poder dos indivíduos que buscam o desenvolvimento espiritual e que trabalham pelo bem, pelo amor e pelo progresso supera grandemente a condição daquelas mentes enfermiças que ainda não despertaram para as noções de melhoramento, renovação e aperfeiçoamento. Lembro-me de Gandhi, quando afirmou que “Se um único homem chega à plenitude do amor, neutraliza o ódio de milhões”. Desenvolvendo a reflexão do Mahatma, talvez possamos concluir que, se milhares de indivíduos compreenderem que podem expressar nem que seja uma diminuta parcela de amor, em forma de cooperação, solidariedade, honestidade, lealdade, neutralizaremos o ódio daqueles que ainda permanecem ignorantes das leis da vida.



Uma das coisas que determina fortemente a elevação da freqü.ncia vibratória do pensamento é o amor desinteressado.



E é claro que o contrário também é verdadeiro: o egoísmo, as paixões aviltantes, a falta de sintonia com os elementos de progresso produzem um rebaixamento das vibrações dessas correntes mentais. Elas passam a formar uma espécie de egrégora ou conjunto de formaspensamento que gravitam muito próximo à esfera física.



Aqueles seres que sintonizam com a mágoa, a tristeza, a indiferença, o egoísmo e os interesses mesquinhos captam dessa egrégora elementos mentais que abastecem esses pensamentos e sentimentos desorganizados e desinteressantes para o progresso humano.



Dessa maneira, deduz-se quanto é valiosa a reeducação dos impulsos da alma. Selecionar o alimento mental passa a ser tão ou mais importante que escolher o alimento material. Conhecer-se para detectar a fonte das emoções desequilibradas passa a ser condição sine qua non para uma vida digna de filho de Deus, para uma existência feliz. Sentimentos e emoções de baixo teor, como os descritos no parágrafo anterior, serão detectados pelo ser que busca espiritualizar-se, com a máxima prontidão possível, a fim de que sejam compreendidos e transmutados.



Esse exercício possibilitará uma plantação de qualidade, com uma colheita de resultados compensadores.



Imersos num mar de noúres



Conhecendo um pouco mais sobre o mecanismo de funcionamento das criações mentais, podemos compreender onde se localiza a fonte de inspiração para escritores, oradores, médiuns, cientistas e outras pessoas que têm o interesse de esclarecer, incentivar o progresso e impulsionar a evolução humana. Fica mais claro como ocorre o trânsito das informações, chamadas pelos encarnados de inspiração.



Além de desenvolverem raciocínio próprio, ocorre também que tais indivíduos, durante os momentos de desprendimento do corpo ou mesmo na vida intrafísica, conseguem conectar-se às correntes mentais de ordem superior que circundam a aura do planeta. São médiuns, muitas vezes inconscientes do que se processa nesse instante sublime de conexão com os valores e os conhecimentos arquivados na memória astral do mundo.



Eis por que encontramos muitos pensadores de boa-fé sejam escritores, médiuns, cientistas… – que, ao descrever suas teses, fazer abordagens ou exprimir pensamentos pela linguagem escrita ou falada, parecem valer-se de pensamentos e até de frases inteiras já vistos, expressos ou escritos. Isso ocorre porque se sintonizaram com as correntes mentais circundantes da aura magnética planetária e beberam diretamente da fonte de inspiração universal.



É tola, portanto, a vaidade daqueles que teimam em se considerar “os primeiros”. O conhecimento está disponível a tantos quantos, imbuídos do impulso de buscar o progresso, a beleza, o bem, o amor, consigam colocar-se em sintonia com as ondas sutis que trafegam no espaço infinito, provindas dessa “biblioteca” sideral, depositária de tesouros inestimáveis. Sem deixar de considerar a capacidade individual e a influência dos benfeitores espirituais, essa a razão pela qual mais de uma pessoa ao mesmo tempo, em diversas partes do globo, reivindicam uma descoberta ou a autoria de uma obra.



Nesses momentos de conexão, em que a mente encarnada ou desencarnada está sintonizada com estudos e idéias de âmbito universal, não ocorre apenas a inspiração de determinado espírito que a assiste. Ao se ligar ao conteúdo esparso nas ondas de pensamentos superiores, a mente absorve indistintamente o conhecimento registrado nos arquivos sutis da luz astral. Por isso é que muitas vezes identificamos pontos de vista exatamente iguais – expressos nas psicografias, por exemplo –, uma vez que, em estado de transe, o sensitivo expande sua consciência e se abastece diretamente dessa fonte inesgotável. Como existem outros sensitivos e muitos médiuns, escritores, artistas, cientistas e pensadores que também se elevam vibratoriamente às freqü.ncias de natureza superior, todos se acham, em dado momento, mergulhados no mesmo oceano de idéias.



Nesse contexto, trabalhos, raciocínios, deduções e interpretações sob sua responsabilidade dificilmente poderão ser considerados originais, no sentido estrito do termo, ou de autoria exclusiva, pois que a idéia central provém de um manancial comum.



Levando-se em conta a realidade dos fenômenos psíquicos inerentes a todos o humanos, encarnados e desencarnados, podemos entender melhor o pensamento do codificador do espiritismo. Allan Kardec chama de universalidade do ensino dos espíritos o fenômeno pelo qual médiuns ou pessoas diferentes, sem se conhecerem, apresentam trabalhos e raciocínios, mensagens e idéias comuns, muitas vezes empregando palavras e até frases inteiras iguais. É que a fonte de inspiração foi a mesma.



Aliás, ele via isso com bons olhos, tanto que estampou esse critério como selo de aprovação para novos princípios integrarem-se ao corpo da doutrina que inaugurava.



Uma vez conectados às correntes mentais superiores, em estado de transe ou de expansão da consciência, tais indivíduos, além de inspirados diretamente por entidades extrafísicas, alcançam esses domínios da mente, os registros mentais, e neles mergulham durante o processo de desdobramento de suas atividades, no desenvolvimento de sua obra.



Essa visão mais ampla do processo de inspiração contribui para compreendermos fatos como o que se vê ao analisarmos as pregações de Jesus, que pareceu repetir alguns ensinamentos vindos antes dele, atribuídos a Buda, Sócrates e outros representantes do pensamento evolucionário da humanidade. É que estavam ligados mentalmente à mesma fonte sublime, na qual abasteciam suas mentes e de onde extraíam sua mensagem. Algo semelhante encontra-se nos escritos de Allan Kardec, quando o eminente Codificador expressa determinados pensamentos e raciocínios encontrados em textos e trabalhos desenvolvidos por predecessores. Fato idêntico ocorre com médiuns que canalizam mensagens, e depois encontramos os mesmos elementos presentes, ainda que de modo esparso, em outros escritos. Muitas vezes, por ignorar o processo mental de sintonia fina no qual se encontram em momentos de transe, deduzimos ser plágio. Desconhece-se que as correntes de pensamento superiores podem ser acessadas mediante maior ou menor concentração mental, especialmente por causa da identidade de interesses.



No processo mediúnico, por exemplo, o médium não está somente em sintonia com o espírito que o assiste no momento; além disso, apresenta suas faculdades e paracapacidades mais dilatadas, de maneira abrangente. Isso faculta ao sensitivo captar informações dos registros siderais nos quais estão impressos pensamentos e raciocínios, o que, evidentemente, acontece também entre os escritores e artistas. Ainda que não sejam espíritas ou não se entreguem conscientemente ao exercício da mediunidade, tais indivíduos são médiuns inspirados, na acepção mais ampla, e o produto de seu trabalho, que pode parecer ao ignorante ser mera cópia, atesta a existência de uma fonte de inspiração universal, sublime, extracerebral.



Períodos iguais ou semelhantes, frases completas e até textos inteiros apenas com leves diferenças são traduzidos em mensagens de encarnados ou desencarnados, retratando a realidade daquilo que Salomão disse há mais de 2.300 anos: “Nada há de novo debaixo do sol” (Ec 1:9)



Evidentemente, não se pode negar que há indivíduos que agem de má-fé, copiando trabalhos alheios e tomando a si sua autoria. Ou, ainda, elaborando peças que mais parecem colchas de retalho ou colagens de trechos reunidos aqui e acolá, remendando passagens extraídas de meia dúzia de livros, que, com termos ligeiramente modificados, não passam de plágio mesmo. Em vez de aspear citações, apresentam a nova redação – não raras vezes de pior qualidade que a original – como fruto de sua elaboração.



Entretanto, conhecendo a realidade das correntes mentais, talvez não seja tão difícil distinguir entre os inescrupulosos e aqueles que têm acesso aos conteúdos sutis.



Em muitos casos, basta pesquisar a biografia do sujeito em questão, a contribuição que tem oferecido às comunidades de que participa, suas ações concretas, a “folha de serviços prestados” ou o conjunto da obra. Foi Jesus quem deu a dica: “Conhece-se a árvore pelos seus frutos” (Lc 6:44). Como deduzir que age com deslealdade aquela pessoa, o médium, artista ou cientista, que demonstra, pelos seus atos, possuir valores nobres, dignidade e um conjunto de serviços sobejamente reconhecidos? Robson Pinheiro Introdução do livro ENERGIA de sua autoria.

Entrevista Médium Francisco do Espírito Santo Neto - Site Spiritist



ENTREVISTA COM

FRANCISCO DO ESPÍRITO SANTO NETO

(Quico)



Cortesia de www.boanova.com



Aproveitando a recente passagem de Francisco do Espírito Santo Neto pela cidade de Belo Horizonte (MG) a serviço da Doutrina, Weller­son Santos, amigo estimado e trabalhador espírita solicitou esta entrevista com o médium psicógrafo catanduvense. Confira:






Maria João de Deus no livro Cartas de Uma Morta nos diz que a mediunidade é como uma harpa melodiosa que quando parada enferruja. Cada médium tem o início do seu trabalho mediúnico de uma forma. Como foi a sua?



Quico: O meu início nas tarefas mediú­nicas, ou seja, o despertar da mediu­ni­dade, deu-se quando eu era muito jovem. Quando criança, morava com minha família na fazenda de meus pais, numa casa muito antiga onde, durante a noite, eu registrava alguns fenômenos curiosos. Naquela época, os eventos mediúnicos eram para mim completamente desconhecidos, pois sempre recebi uma educação religiosa católica.



À noite, eu escutava passos e ruídos. Pessoas atravessavam os assoa­lhos de madeira, pois a casa possuía um porão imenso, e vinham dialogar comigo sobre vários assuntos. Algumas pessoas saíam dos quadros pendurados na parede do quarto, principalmente de um que ficava bem em frente de minha cama, o de São Domingos de Sávio, um dos santos considerados protetores da juventude católica. Com o tempo fui me acostumando com esses fenômenos e logo eles já nem me assustavam mais. Eu atribuía isso tudo a minha mente imaginativa de criança que soltava o pensamento, esperando o sono chegar. Foi, portanto, na fase infanto-juvenil que os primeiros fenômenos mediúnicos aconteceram comigo.



Depois, mais adiante, eu me lembro que a minha mediunidade aflorou ostensivamente quando eu fui assistir, com um grupo de amigos, a um terreiro de Umbanda. Na época, eu tinha aproximadamente 18 anos. Fomos assistir curiosamente à reunião umban­dista, como qualquer jovem, ávido de aventuras, experiências e com uma postura muito crítica. Todos os meus amigos participaram do círculo formado, segundo os rituais umbandistas, a fim de ver os transes, os cantos e tambores, enfim, como aconteciam as coisas ali naquele momento. Foi enorme surpresa. Os meus braços começaram a formigar, como se eu tivesse dormido em cima deles, tinha uma sensação de estar sem braços, ou seja, “braço bobo” como se diz no ditado popular, e depois esta sensação tomou conta do meu corpo inteiro. Os meus amigos disseram que eu havia recebido o espírito de um preto velho. No entanto, não me lembrava de nada, absolutamente. Aquilo me assustou muito e nunca mais voltei em qualquer terreiro de Umbanda, pois eu receava que o fenômeno se repetisse.



De nada adiantou. A partir desse fato, começaram a acontecer cada vez mais essas sensações mediúnicas que antecedem a incorporação. Fui atraído, como o ímã atrai os alfinetes.



No entanto, foi em 1973 que, pela primeira vez, tomei contato com as obras O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, e Voltei, do Irmão Jacob, psi­cografia de Chico Xavier, presentes do querido Diomar Zeviani – amigo que muito me orientou na questão doutrinária espírita.



Quando eu li esses livros, registrei que seus ensinamentos eram para mim muito familiares. Era meu primeiro contato com as obras, mas a sensação era de que já havia lido ou ouvido tudo aquilo em algum lugar. “Nada acontece por acaso”. Assim refletindo, consigo visualizar claramente toda a fase de preparação pela qual passei, a fim de poder, hoje, contribuir humildemente com meus poucos recursos de médium no trabalho iluminado do Espiritismo.



Allan Kardec em O Livro dos Médiuns no capítulo XV nos fala que na psicografia existem médiuns mecânicos, intuitivos, semimecâ­nicos, inspirados e de pressentimentos. No seu trabalho mediúnico, como isso se manifesta?



Quico:Eu acredito que tanto minha me­diunidade de psicografia como a de psicofonia funcionam numa fusão de alguns aspectos mediúnicos. Eu classifico a minha mediunidade como semi­mecânica. Em muitas ocasiões, sinto que eu escrevo inspirado. Em outras, vejo e escuto os espíritos e escrevo. Em outras oportunidades, eu durmo, sonho, converso com pessoas que me dizem coisas e as registro, prontamente, ao acordar. Geralmente, quando eu estou escrevendo um livro, os espíritos utilizam muito o fenômeno do desdobramento durante o sono físico para conversarem comigo. Quando eu estou levando a mensagem por um caminho inadequado ao contexto do livro, ou seja, não está como os espíritos desejam, sonho e eles me dizem que algo precisa ser mudado ou reescrito. Ao acordar, faço a correção necessária, tal qual o Espírito me orientou.



Na incorporação, quase sempre, as mensagens que recebo dos Benfeitores Espirituais são gravadas e transcritas para o papel. Acredito que a minha me­diunidade funciona como uma união íntima resultante de combinação de várias mediunidades que me facilitam o desempenho medianímico.



Tenho relativa facilidade para escutar nomes, frases inteiras ditadas pelos espíritos. Registro mensagens de entidades familiares, ouço nomes e fatos que ocorreram com os espíritos. Essa mediunidade auditiva facilita muito o recebimento de mensagens.



Alguns médiuns, quando estão psicografando um livro, têm um horário preestabelecido para execu­tarem esse trabalho. No seu caso, existe ou somente acontece quando vem a inspiração de Hammed?



Quico: Hammed quis no início estabelecer um horário. Mas depois ele percebeu que a minha mediunidade funciona mais por inspiração. No entanto, isso não significa que não obedeço a horários estabelecidos pelos Benfeitores. Às vezes escrevo inspirado e depois, quando algo precisa ser modificado, a Espiritualidade avisa-me no sono ou em momentos de prece. Na realidade tenho alguns horários: duas ou três vezes por semana, durante a tarde, deixo reservado um espaço para o trabalho de psicografia.



Regularmente tenho trabalhos às quartas e às quintas-feiras à noite. Nas quartas-feiras realizo um trabalho de psicografia durante uma tarefa pública, ou seja, psicografo durante as pales­tras. Nas quintas-feiras temos reunião de desobsessão, nas quais recebo algumas mensagens escritas e no final, através da psicofonia. Esses são infalíveis, são horários marcados. Nos outros dias da semana, fica assim por conta da inspiração.



As obras do espírito Hammed como as do espírito Joanna de Ân­ge­lis conjugam com maestria conceitos da psicologia inseridos na perspectiva da Doutrina Espírita. Como vê esse trabalho, inclusive na ajuda junto aos psicólogos e psiquiatras, que indicam os livros desses espíritos aos seus pacientes?



Quico: Vejo com muita alegria o trabalho de Hammed e a obra extraordinária de Joanna de Ângelis, porque, na realidade, tenho como formação profissional o curso de Administração de Empresas: não tenho nenhuma formação na área da psicologia. Tenho muitos amigos psicólogos, alguns fazem parte das Associações de Psicólogos Espíritas do Estado de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul, outros tantos do Nordeste, e todos são unânimes em me dizer que fui um elemento utilizado pelos espíritos, porque não tinha qualquer conhecimento de psicologia, o que de certa forma me facilitou o recebimento destas obras mediú­nicas. Para os espíritos eu era papel “virgem” ou “em branco”. Esses meus amigos psicólogos me dizem, precisamente no livro As Dores da Alma, que não tenho noção da validade e da diversidade de conceitos e exemplos lúcidos que foram ali registrados pelas minhas mãos, através do lápis mediú­nico. O livro A Imensidão dos Sentidos é também muito admirado por eles pela abordagem psicológica com que Hammed analisa os diferentes aspectos da personalidade dos médiuns e a influência desses mesmos aspectos nas mensagens por eles transmitidas.



É bem verdade a sua afirmação, os livros de Hammed estão sendo utilizados por diversos psiquiatras e psicólogos espíritas no tratamento de seus pacientes, ou mesmo no estudo de diversas casas espíritas. Isso me traz muito contentamento, porque vejo que as pessoas estão retirando conceitos importantes para a reforma íntima ou transformação moral. Digo isso sem qualquer conotação de orgulho, porque sei que estas tais não me pertencem, e sim, aos espíritos superiores.



Essas obras muito me consolam, principalmente nos meus dias de conflito. Por isso, sempre tive um grande interesse em estudar o comporta­mento humano. Neste momento recordo-me de algo: toda vez que fazia as minhas preces, para aliviar minhas dores morais, pedia para os “psicólogos do além” para me auxiliarem. Eu acredito piamente que eles me ajudaram. Atenderam aos meus pedidos.



Poucos documentos se têm a respeito da vida de Hammed. Afinal, quem é esse Espírito que vem de uma forma tão sábia e simples nos trazer tantos ensinamentos? Você pode trazer mais alguma informação?



Quico: Realmente, Hammed é um Espírito de muita sabedoria e eu tive o privilégio da sua convivência em algumas de minhas encarnações e, na atual, a convivência mediúnica no dia-a-dia. Obviamente, é por isso que temos esta parceria nos livros psicografados. Certa feita ouvi Chico Xavier dizer que “de nada não sai nada”. Nossa relação é muito estreita. Às vezes, ele me solicita para que me organize melhor, leia algum texto, um livro, o qual supostamente ao acaso eu pego em uma livraria. Depois ele me diz assim: “Você alcançou o livro certo, porque era isso que você tinha que ler para poder aprender e poder melhorar, fa­cilitando os nossos encontros para a psicografia dos livros”. Então, toda essa orientação intuitiva acontece. Hammed tem sido para mim um professor, um pai, um terapeuta e, acima de tudo, um amigo. No entanto, eu acredito que a sua amizade para comigo é o item mais importante, pois ele respeita as minhas questões pessoais, o que eu sou, o que eu sinto, a minha forma de ser e de pensar. Ele também me indica caminhos, no entanto, não impõe e nem espera que eu os siga. Quer dizer, ele me aponta meta e sugere decisões e como não sou bobo nem, nada eu sempre sigo (risos).



Em uma de minhas encarnações eu convivi com Hammed na Índia, em Calcutá, no ano 1000. Ele era um sacerdote de uma seita hinduísta, por isso tem bagagens nas áreas da meditação, reencarnação, concentração e outras tantas adquiridas nas vidas pretéritas no oriente. É o que eu também registro: percebo que nós tivemos uma vida intensa e calorosa, no sentido de lutar por idéias, religiões, filosofias. Participamos juntos em conflitos religiosos, por exemplo, no Jansenismo, uma facção católica nascida na França no século XVII. Os jansenistas eram pessoas extremamente rígidas e inflexíveis quanto as suas idéias e ideais. Acreditavam numa verdade absoluta, ou seja, diziam que algumas pessoas nasciam pré-destinadas por Deus para serem salvas e, as outras que não tivessem sido pré-destinadas, por mais que fizessem nunca entrariam na glória divina. Era uma doutrina nascida no catolicismo, uma facção religiosa muito puritana e conservadora. Hammed participou desse movimento. Morava em um convento nos arredores de Paris onde residia a grande massa janse­nista da época, isto no século XVII. Inclusive Pascal, o grande cientista e matemático, pertenceu a facção e outros tantos indivíduos de grande signi­ficância na França daquela época.



Na segunda metade de 1600 esse convento foi dizimado por ordem do Rei Luis XIV da França. Após a morte do rei, ficou como regente sua esposa, Ana da Áustria, assessorada pelo iluminado São Vicente de Paula que é uma personagem da mesma época. Hammed, nesta existência como jan­senista, obteve amplos conhecimentos a respeito do catolicismo, do cristianismo, pois desde essa época ele fazia pontes entre as religiões orientais e as ocidentais.



Todo esses detalhes foram por mim registrados através da mediu­nidade, ou seja, por meio dos relatos dos Amigos Espirituais. Aliás, quando ele me falou do convento Port-Royal de Paris, disse-me também do outro convento que era denominado Port-Royal des Champs (do campo). Este último foi destruído e o de Paris ainda existe. Outros detalhes, eu os sei por meio de uma sociedade francesa denominada “Amigos de Port-Royal” a qual descobri por “acaso” na internet. Não sei falar francês, mas tenho uma amiga que traduz muitas coisas para mim. Esse pessoal da França me perguntava porque eu era a única pessoa da América do Sul a ser filiada a tal sociedade. Eles achavam curioso, mas nunca expliquei a verdadeira razão: só disse que me interessava pela história das religiões. Lourdes Catherine, que escreveu o livro Conviver e Melhorar em parceria com o Espírito Batuíra, foi contemporânea de Hammed nesta época. Enfim, depois de algum tempo, recebi deles relatos e fotos dos retratos pintados a óleo destes dois espíritos amigos e, eram idênticos aos que eu já tinha obtido por meio da mediunidade (retratos falados deles, pintados por um amigo, por meio de minha vi­dência). Realmente, quando recebi as fotos dos dois, da França, enorme foi minha alegria por ver que o quadro de Lourdes Catherine e o de Hammed eram praticamente iguais aos pintados por meu amigo pintor. Isso me deu mais uma certeza de que a mediu­nidade é algo surpreendente e maravilhoso, porque todo médium precisa ser também crítico da própria mediu­nidade. Tenho um lema comigo: nunca vou de cabeça nas coisas que faço. Creio que a mente tem um poder muito grande de imaginação e nós precisamos contro­lá­-la para evitar delírios ou distorção das coisas. Nossa mente é fantástica, mas desconhecida.



Isto me certificou das autênticas personalidades deles nesta época. O Espírito Lourdes Catherine foi uma condessa pobre, que vivia aos cuidados de uma duquesa rica no convento. E Hammed foi sacerdote e ao mesmo tempo médico (atualmente Hammed trabalha na área das idéias, da filosofia, e não da medicina ou da cura). Sempre que eu falo de Hammed, regis­tro a vivência no Jansenismo. Inclusive, recentemente fui conhecer o convento de Paris, que ainda existe e está em excelente estado de conservação. Graças a Deus, eu consegui visitá-lo e foi uma experiência emocionante, uma coisa maravilhosa.



O nome Hammed é um pseudônimo?



Quico: É um pseudônimo.



O livro Renovando Atitudes é todo inspirado em O Evangelho Segundo o Espiritismo. É uma obra fantástica porque traz de uma forma contundente a Reforma Íntima, que é um dos pilares para a evolução humana. Como é feito o trabalho de psico­grafia nesse caso? É o Espírito quem escolhe os versículos e depois os explica ou é feito todo um trabalho de pesquisa pela editora e/ou médium e depois o espírito psicografa discorrendo sobre o assunto?



Quico: Os livros do Hammed são confeccionados da seguinte forma: ele traz o esqueleto do livro. É ele quem escolhe os capítulos e os itens a serem comentados. De que forma? No caso do Renovando Atitudes, peguei o Evangelho e fui lendo. Ele ia me dizendo e através da audição eu anotava os textos escolhidos. Portanto, é ele quem marca, quem sinaliza para todos os capítulos e itens. Eu os coloco em uma folha em branco e ele começa a tecer os comentários através da psico­grafia. Hammed está sempre presente, seja nas reuniões públicas de psico­grafia ou por meio da psicofonia nas reuniões de quinta feira. Esta última é uma reunião de de­sob­sessão e, no término da tarefa, Hammed transmite a mensagem final, ou também, nos dias de semana, durante a tarde, período em que eu me predisponho ao recebimento de mensagens me­diúnicas. Ele comenta e ao término coloca o título das mesmas. Acho fantásticos os títulos escolhidos por Ham­med, porque ele consegue sintetizar e ser muito original. Quer dizer que ele programa o livro e depois o recheia. Ou seja, ele escolhe os ingredientes do bolo e depois coloca o chocolate, o glacê, ele confeita o bolo.



Nós gostaríamos que você nos desse a sua opinião: como lidar com as dores de nossa alma no dia-a-dia tumultuado que temos vivenciado atualmente?



Quico: Para lidarmos ou termos sob controle as dores da alma é preciso prestar atenção em nossos sentimentos e emoções. Nós os relegamos a segundo plano: precisamos ser auto reflexivos.



Hammed me diz: “Nós não sentimos errado, mas sim, interpretamos errado”. Qualquer sentimento sempre é verdadeiro, pois, na realidade, eles sempre querem nos dizer alguma coisa, mas nem sempre nossa percepção é correta. Os espíritos dizem: “Nós não somos aquilo que pensamos ser, mas sim, somos o que sentimos”. Não adianta pensarmos que somos algo se sentimos o inverso. É a maior briga que travamos com nós mesmos: querermos ser o que pensamos ser e não o que nós sentimos.



Eu acredito que cada um de nós tem uma missão peculiar, única, e que cada um vem provido pela Divindade de sentimentos específicos para caminhar na própria estrada, ou seja, rea­lizar tudo aquilo para o qual foi predesti­nado. Observando esses conceitos e colocando-os em prática é que conseguimos realmente abrandar as dores da alma. As dores da alma ou aflições só aparecem em nossa vida quando nós nos desviamos de nossa trajetória existencial. Ninguém é imperfeito, ninguém é errado, não precisamos ter medo ou receio de nossos sentimentos e emoções, porque dentro de nós não há nada de feio ou incorreto, dentro de nós existe nós mesmos - a alma em evolução. Às vezes, o nosso medo é que propicia a má interpretação de nossos sentidos internos. É preciso que prestemos muita atenção em nosso mundo íntimo. Particularmente, trago comigo uma frase interessantíssima de Buda: “Necessitamos ter presença, ou seja, estar presente em nós mesmos a todo instante.” Um dia os discípulos de um mestre indiano disseram aos discípulos de Buda: “Nosso mestre é um grande médium. O que vocês têm a dizer sobre o seu mestre? O que ele pode fazer, que milagres ele faz?”. Os discípulos de Buda perguntaram: “Que tipo de milagres seu mestre tem feito?”. Os outros discípulos responderam: “O nosso mestre levita, o nosso mestre faz materializações extraordinárias. Nós mesmos presenciamos isso, somos testemunhas! O que seu mestre Buda o que é capaz de fazer”. Eles disseram: “Quando está com fome, ele come, e quando tem sono, dorme”. O nosso mestre nos ensina quando andar, andar, quando comer, comer, quando sentar, sentar. Os outros falaram: “Do que você está falando? Chama isso de milagres? Todos fazem essas coisas?”. Os discípulos de Buda responderam: “Engano de vocês. Ninguém faz isso. Quando vocês dormem, fazem mil e uma coisas. Ao comerem, pensam em mil e uma coisas. Mas, quando meu mestre dorme, ele apenas dorme: apenas o sono existe naquele momento, nada mais. E quando sente fome, ele come. Ele está sempre exatamente no lugar onde está, ou seja, está sempre presente”.



O que nós estamos sentindo aqui e agora? Os nossos sentimentos e emoções nos dão sempre um recado porque eles vêm da profundeza do self, da alma, de nós mesmos. Nós precisamos sempre estar presentes, ou seja, com a auto-reflexão em funcionamento em nossa vida. Porque toda vez que nós dissermos assim: “Ah, não vou dar importância para esse sentimento, eu não ligo para aquele”, aquilo vai se avolumando de tal forma que se torna um enorme emaranhado, dificílimo de ser desvendado. Mas se fizermos como Santo Agostinho recomenda na questão 919a de O Livro dos Espíritos: “Toda noite reflexionar, pensar, analisar, o que você sentiu, o que você fez, o que você não fez.”, nós vamos deixando em ordem nosso armário mental. Se deixarmos o “armário bagunçado”, chegará um dia em que ele estará tão desorganizado que ficaremos estressa­dos para arrumar e não teremos tempo de deixar tudo aquilo organizado do dia para noite. Acredito que um item importante para nós não sentirmos as dores é seguirmos o próprio caminho, aliás, é essa a nossa missão aqui na Terra, somente essa. Nós fazemos tudo: fazemos caridade, lemos, casamos, descasamos, fazemos amigos, freqüentamos a casa espírita, fazemos estudos, só para certificarmos o nosso caminho, ou seja, aquele que Deus nos deu como missão. Na questão 115 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta à Espiritualidade Superior como é que fomos criados. E os espíritos respondem que nós fomos criados simples e ignorantes, mas Deus deu a cada um a própria missão. A causa de nosso sofrimento provém do desvio da nossa missão, do nosso caminho. Uma das nossas grandes vitórias sobre nós mesmos, que evita que as dores se avolumem (já que elas já são quase inevitáveis pelo grau evo­lutivo em que nós nos encontramos), é andarmos pelo caminho que é só nosso. A incorporação desse princípio, ou seja, a conscienti­zação desse princípio já é um grande alívio para as dores da alma.



A proposta trazida pelos autores espirituais do livro Conviver e Melho­rar é a de buscar auxiliar o ser humano para que ele tenha um bom relacionamento consigo mesmo, para que, em seguida, possa lidar melhor com as personalidades difíceis com as quais convive no dia-a-dia. Como é psicografar dois espíritos distintos numa mesma obra? Como se deu o contato com eles? Existe a possibilidade de outros livros serem escritos por eles?



Quico: Sim, existe possibilidade, no entanto, é preciso que haja programas espirituais para que isso ocorra. O grande detalhe é que eu não sei se vou dar conta do recado, mas, se eles fizerem nova proposta, vou me esforçar.



É muito gratificante psicografar dois espíritos com personalidades completamente diferentes. Batuíra é um trabalhador espírita que viveu recentemente em São Paulo, ou seja, no século XIX e desencarnou em 1909. Ele possui uma bagagem doutrinária eminentemente alicerçada nas obras básicas e um amplo conhecimento do Movimento Espírita. Conseguiu colocar um aspecto muito interessante no livro que é a organização e a administração da Casa Espírita. Pode-se dizer que ele fez um trabalho de administrador de empresa. As pessoas que lêem o livro Conviver e Melhorar aprendem a lidar com os amigos e parentes no social e com os trabalhadores e voluntários na Casa Espírita e a fazer uma boa gestão administrativa nas áreas sociais, doutrinárias e de divulgação espírita.




Lourdes Catherine viveu em sua última encarnação no século XIX, em Bordeaux, na França. Nessa época, ela conheceu Allan Kardec, pois ele fazia divulgações do Espiritismo em algumas cidades do sul da França, inclusive em Bordeaux, e ela teve a oportunidade de assistir a uma palestra proferida por ele. Tornou-se espírita depois desse encontro. Lourdes Catherine também é um pseudônimo. Ela é um Espírito meigo, muito doce, é uma alma que fala de flores, colocando em suas escritas toda uma explicação por meio de metáforas, usando a mitologia, o simbolismo das flores. Batuíra já é um Espírito mais enérgico. Posso dizer que psico­grafar o livro Conviver e Melhorar foi de certa forma um trabalho árduo, porque ora tinha que colocar minha mente na personalidade de Batuíra, ora na de Lourdes Cathe­rine. Não foi muito fácil, mas eu acredito que eles conseguiram exprimir da maneira clara o que se propuseram a fazer, ou seja, escrever o livro Conviver e Melhorar.



No livro A Imensidão dos Sentidos, o espírito Hammed além de fazer um trabalho voltado ao Livro dos Médiuns envolve-nos numa aná­lise dos cinco sentidos. E o sexto sentido, como analisá-lo em todo este conceito da sensibilidade humana?



Quico: Allan Kardec faz um trabalho genial em O Livro dos Médiuns. Nós acreditamos que seja uma obra basilar na orientação para todos aqueles que têm sensibilidade mediúnica. Nessa obra, Hammed não só estuda o cinco sen­tidos, mas, especificamente, o sexto sen­tido. Ele diz: “Os cinco sentidos humanos são a base de todas as percepções físicas, mas, quando somamos a eles o “sexto sentido”, não só experimentamos um maior grau de consciência existencial como também passamos a descortinar os mistérios da vida invisível”, ou seja, diz que os cinco sentidos ajudam o sexto, e o sexto sentido ajuda os cinco numa relação recíproca. Existe uma fusão, fusão essa que proporciona ao indivíduo uma lucidez mental para se guiar na vida. Ele coloca o sexto sentido como sendo um elemento natural do ser humano que deve ser usado convenien­temente. Em mediunidade nunca devemos descartar a auto-análise dos cinco sentidos, pois “para desenvolver a mediuni­dade, é necessário, inicialmente, aprender a comunicar-se com os próprios sentimentos para, a partir daí, entrar em contato com os de outras pessoas (encarnadas ou não). O Criador guia suas ­criaturas utilizando a capacidade intelectual/sensorial delas de avaliar seu reino íntimo”, diz Hammed.



O que eu vejo, escuto, falo, o que percebo com o tato, o olfato, o paladar são sensações que interagem no transe mediúnico. Nesse livro, ele faz um estudo do comportamento dos médiuns e, ao mesmo tempo, exemplifica-o. Por exemplo: se o estilo pessoal ou o modo de expressar do sensitivo for de caráter intolerante, perfeccionista, melindroso, o indivíduo não entra plenamente em transe mediúnico com as Esferas Superiores, mas, sim, identifica-se com seu próprio mundo de mágoa, inflexibilidade.



Como é que o sexto sentido funcio­na? Como age sua personalidade ou área anímica nas comunicações espi­rituais? No médium mais flexível, segu­ro, conscientizado, os espíritos conseguem encontrar maior facilidade no transe, sem grandes interferências do sensitivo. Sucessivamente, Hammed vai fazendo estudos da personalidade, do conteúdo psicológico dos médiuns, do caráter e vai fazendo pontes com o sexto sentido e com as mensagens recebidas - que são subproduto dessas estruturas íntimas. Eu acho tudo muito interessante. Por exemplo, Hammed diz que nosso entendimento é limitado. Muitas vezes não compreendemos porque muitos médiuns têm facilidade de receber mensagens de cunho inovador e outros médiuns possuem sérias dificuldades, permanecendo no mesmismo. Apesar de toda aquela classificação que Allan Kardec descreve em O Livro dos Médiuns: médiuns historiadores, poetas, receitistas, científicos, filósofos, religiosos, etc., ainda é preciso acrescentarmos a estrutura psicológica do médium nas comunicações recebidas. Vejamos: um médium historiador pode produzir muito bem, mas se ele for conservador, suas mensagens históricas terão uma atmosfera de conser­vadorismo. Já um médium historiador com comportamento aberto e flexível poderá transmitir mensagens históricas sobre um aspecto novo, ou seja, envolvidas em uma visão nova. Um médium poeta pode receber mensagens de uma forma tradicionalista, mas se ele for flexível ele pode trazer poemas de um cunho mais original, renovador, inédito. Eu acredito que A Imensidão dos Sentidos é um livro muito interessante. Eu o utilizo muito para os meus estudos pessoais e com a equipe com a qual trabalho mediuni­camente. Eu o aprecio muito, sempre o leio para saber lidar com meus pontos fracos, meu lado inflexível. Porque nós sempre estamos atraindo criaturas (encarnadas ou não) com nosso lado que está em evidência na época. Nós somos uma fusão de vários sentimentos e emoções.



Em determinada época nós esta­mos mais ciumentos e atraímos espíritos ciumentos. Isso é anímico. Aliás, aní­mico vem de animus (alma): nós atraímos com a nossa aura determinados espíritos, eles sentem-se atraídos pela nossa área frágil. Se nós estamos depressivos, em certas épocas da vida em que sofremos algumas “quedas vibratórias ”, atraímos, certamente, espíritos depressivos. A mediunidade é sempre um termômetro para sabermos como estamos indo interiormente, o que temos que mudar. O que nós estamos atraindo revela como está o nosso mundo íntimo.



Quando começo atrair alguns tipos de pessoas (encarnadas ou não) para a minha vida, aí eu me pergunto: “Quico, o que é que você está emitindo energeticamente. Porque estão aparecendo muitas pessoas em sua vida com este tipo de problema? Onde tudo isso está em você? Você está percebendo, você já se deu conta de que de certa forma a sua antena está captando ou atraindo estas emissões.”



Tudo isso que falei é uma visão muito pálida do que Hammed me transmitiu ao escrever o livro A Imen­sidão dos Sentidos. No entanto, minha me­diunidade funciona em tantos outros aspectos que seria impossível transmiti-los numa entrevista.

Fonte: Site Spiritist