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sábado, 30 de março de 2013

Conto Espírita - Amarguras de um Santo - Livro Reportagens de Além-túmulo - Chico Xavier



AMARGURAS DE UM SANTO 
Pelo Espírito de Humberto de Campos psicografado por Chico Xavier



Falava-se numa roda espiritual da melhor maneira de cultivar a prece, quando um amigo sentenciou: 

- Uma herança perigosa dos espiritistas é a de transformar a memória de um companheiro desencarnado numa espécie de culto de falsa santidade. O bom trabalhador do Cristo não faz mais que cumprir um dever, e não é justo se lhe perturbe a serenidade espiritual com a repetição de cenas mundanas, perfeitamente idênticas, às cerimônias canônicas. Não raro, a morte arrebata do convívio terrestre um irmão consciencioso, dedicado, e imediatamente os amigos da Doutrina o transformam num tabu de fictícia inexpugnabilidade.

É verdade; - exclamou um dos presentes -, em todas as questões é justo perguntarmos qual foi o procedimento de Jesus; e, no caso da prece, não se vê, nos Evangelhos, um culto particular, a não ser a contínua comunhão entre o Cristo e o Pai que está nos Céus. 

Um ex-padre católico, com o sorriso da bonança que sempre surge depois das grandes desilusões, acrescentou em tom amistoso:

- É razoável que os homens do mundo não interrompam as tradições afetuosas com aqueles que os precedem na jornada silenciosa do túmulo, conservando nas almas a mesma disposição de ternura e de agradecimento, na recordação dos que partiram. Entretanto, no capítulo das rogativas, das solicitações, dos empenhos, convém que toda criatura se dirija a Deus, ciente de que a sua vontade soberana é sempre justa e de que a sua inesgotável bondade se manifestará, de um ou de outro modo, através dos mensageiros que julgue conveniente aos fins colimados.

Em minhas experiências nas esferas mais próximas do Planeta, sempre reconheci que os Espíritos mais homenageados na Terra são os que mais sofrem, em virtude da pouca prudência dos seus amigos. Aliás, neste particular, temos o exemplo doloroso dos «santos». Sabemos que raros homens canonizados pela igreja humana chegaram, de fato, à montanha alcantilada e luminosa da Virtude. E essas pobres criaturas pagam caro, na Espiritualidade, o incenso perfumoso das gloríolas de um altar terrestre. 

A palestra tomava um caráter dos mais interessantes, quando o mesmo amigo perguntou de repente, depois de uma pausa:

- Vocês conhecem a história de São Domingos González? 

E enquanto os presentes se entreolhavam mudos, em intima interrogação, continuou:

- Domingos González era um padre insinuante, dotado de poderosa e aguçada inteligência.

Sua carreira sacerdotal, dado o seu caráter flexível, foi um grande vôo para as posições mais importantes e elevadas. Dominava todos os companheiros pelo poder de sua palavra quente e persuasiva, cativava a atenção de todos os seus superiores pela: humildade exterior de que dava testemunho, embora a sua vida íntima estivesse cheia de penosos deslizes. 

A verdade é que, lá pelos fins do século XV, era ele o Inquisidor-Geral de Aragão; mas, tal foi o seu método condenável de ação no elevado cargo que lhe fora conferido, que, por volta de 1485, os israelitas' o assassinaram na catedral de Saragossa, em momento de sagradas celebrações. 

O nosso biografado acordou, no além-túmulo, com as suas chagas dolorosas, dentro das terríveis realidades que lhe aguardavam o Espírito imprevidente; mas, os eclesiásticas concordaram em pleitear-lhe um lugar de destaque nos altares humanos e venceram a causa. 

Em breve tempo, a memória de Domingos transformava-se no culto de um santo. Mas, 
aí,agravaram-se, no plano invisível, os tormentos daquela alma desventurada. Envergonhado 
e oprimido, o ex padre influente do mundo sentia-se qual mendigo faminto e coberto de 
pústulas.. Nós, porém, sabemos que as recordações pesadas do Planeta são como forças 
invencíveis que nos prendem à superfície da Terra, e o infeliz companheiro foi obrigado a 
comparecer, embora invisível aos olhos mortais, a todas as cerimônias religiosas que se 
verificaram na instituição de seu culto. Domingos González, assombrado com as acusações 
da própria consciência, assistiu a todas as solenidades da sua canonização, sentindo-se o 
mais desgraçado dos seres. As pompas de acontecimento eram como espadas intangíveis 
que lhe atravessassem, de lado a lado, o coração vencido e sofredor. Os cânticos de 
glorificação terrena ecoavam-lhe no intimo como soluços- da sombra e da- amargura. 

E, desde essa hora, intensificaram-se-lhe os padecimentos. 

Sua angústia agravou-se, primeiramente em virtude da nova posição do círculo familiar. Os 
que lhe eram afins pelo sangue entenderam que não mais deviam o tributo comum de 
trabalho e realização ao mundo. Como parentes de um santo, não mais quiseram trabalhar. 

E essa atitude se estendeu aos seus mais antigos companheiros de comunidade. Os poucos 
valores da agremiação religiosa, a que pertencera, desapareceram. Seus colegas de esforço 
estacionaram voluntariamente na preguiça criminosa e no hábito das homenagens 
sucessivas. O grupo havia produzido um santo: devia ser o bastante para garantia de uma 
posição definitiva no Céu. 

O Espírito infeliz contemplava semelhante situação, banhado em lágrimas expiatórias. E o seu martírio continuou. 

Sabemos que um apelo da Terra é recebido em nosso meio, tão logo seja expedido por um coração que se debata nas lutas redentoras do mundo. Se o serviço postal do orbe pode estar sujeito aos erros de administração, ou à má-vontade de um estafeta, desviando do seu destino uma mensagem, no plano espiritual não se verificam semelhantes perturbações. A solicitação justa ou injusta dos homens vem ter conosco pelos fios do pensamento, na divina claridade do magnetismo universal. E Domingos começou a receber os pedidos mais imprudentes dos seus numerosos devotos.  

A alma desventurada ficou absolutamente presa à Terra e, de instante a instante, era obrigada a atender aos apelos mais extravagantes e mais absurdos.

Se um criminoso desejava fugir à ação da justiça no mundo, valia-se de Domingos, invocando-lhe a memória, entre receios e rogativas. As mães desassisadas, que não cogitaram da educação dos filhos, em pequeninos, lhe rogavam de joelhos a correção tardia desses filhos transviados em maus caminhos. Os velhacos lhe faziam promessas, a fim de realizarem um bom negócio. As moças casadouras lhe imploravam a aliança do noivo rebelde e arredio. Os sacerdotes pediam-lhe a atenção dos superiores. E, finalmente, todos os sofredores sem consciência lhe suplicavam o afastamento da cruz de provações que lhes era indispensável. 

Chumbado ao mundo, Domingos, durante mais de um século, perambulou pelas casas dos devotos, pelas estradas desertas, pelos círculos de negócios, pelos covis dos bandidos. 

Seu aspecto fazia pena. 

Foi quando, então, dirigiu a Jesus a súplica mais fervorosa de sua vida espiritual, implorando que lhe permitisse voltar à Terra, a fim de esconder no esquecimento da carne as suas enormes desditas. Queria fugir do plano invisível, detestava o título de santo, aborrecia todas as homenagens, atormentava-o o altar do mundo. Suas lágrimas eram amargas e comovedoras, e o Senhor, como sempre, não lhe faltou com a bondade infinita. 

Assim como um grupo de amigos influentes procura colocação para o homem desempregado e aflito no mundo, alguns companheiros dedicados vieram oferecer ao pobre Espírito sofredor uma reencarnação como escravo, no Brasil. 

Domingos González ficou radiante. Chorou de júbilo, de agradecimento a Jesus e, em breve tempo, tomava a vestimenta escura dos cativos, sentindo-se ditoso e confortado, cheio de alegria e reconhecimento. 

O nosso amigo fizera uma pausa na sua narrativa. Estávamos, porém, altamente interessados e eu perguntei: 

- E o santo está hoje nos planos mais elevados da Espiritualidade? Seria extremamente curiosa a palavra direta de sua desilusão e de sua experiência valiosa... 

- Não, ainda não - replicou o narrador, com ar discreto. - Domingos tem vivido sucessivamente no Brasil e ainda hoje, continua, aí, a. esforçar-se pela sua redenção espiritual, guardando instintivamente o mais terrível receio de chegar às esferas invisíveis com o título de santidade. 

Mas, as obrigações comuns dispersaram o grupo em palestra e, dentro de pouco tempo, estava eu novamente só, com o meu trabalho e com a. minha meditação. E nesse dia, impressionado com a história daquela amarga experiência, não pude retirar da imaginação aquele santo que trocara os incensos do altar pela atmosfera nauseante de uma senzala do cativeiro.

Fonte: Conto extraído do livro Reportagenes de Além-túmulo de Francisco Cândido Xavier. Editora da FEB

sexta-feira, 29 de março de 2013

Mensagem Espírita - O “mas” e os discípulos - Site da Federação Espírita Brasileira



O “mas” e os discípulos


“Tudo posso naquele que me fortalece.” — Paulo. (FILIPENSES, CAPÍTULO 4, VERSÍCULO 13.)

O discípulo aplicado assevera:
— De mim mesmo, nada possuo de bom, mas Jesus me suprirá de recursos, segundo as minhas necessidades.

— Não disponho de perfeito conhecimento do caminho, mas Jesus me conduzirá.
O aprendiz preguiçoso declara:
— Não descreio da bondade de Jesus, mas não tenho forças para o trabalho cristão.
— Sei que o caminho permanece em Jesus, mas o mundo não me permite segui-lo.
O primeiro galga a montanha da decisão. Identifica as próprias fraquezas, entretanto, confia no Divino Amigo e delibera viver-lhe as lições.
O segundo estima o descanso no vale fundo da experiência inferior. Reconhece as graças que o Mestre lhe conferiu, todavia, prefere furtar-se a elas.
O primeiro fixou a mente na luz divina e segue adiante. O segundo parou o pensamento nas próprias limitações.
O “mas” é a conjunção que, nos processos verbalistas, habitualmente nos define a posição íntima perante o Evangelho. Colocada à frente do Santo Nome, exprime-nos a firmeza e a confiança, a fé e o valor, contudo, localizada depois dele, situa-nos a indecisão e aociosidade, a impermeabilidade e a indiferença.
Três letras apenas denunciam-nos o rumo.
— Assim recomendam meus princípios, mas Jesus pede outra coisa.
— Assim aconselha Jesus, mas não posso fazê-lo.
Através de uma palavra pequena e simples, fazemos a profissão de fé ou a confissão de ineficiência.
Lembremo-nos de que Paulo de Tarso, não obstante apedrejado e perseguido, conseguiu afirmar, vitorioso, aos filipenses: — “Tudo posso naquele que me fortalece.”

quinta-feira, 28 de março de 2013

Mensagem Espírita - Hora Difícil - Chico Xavier - Site Mensagem Espírita


Hora Difícil


Os Amigos Espirituais auxiliam aos companheiros encarnados na terra, em toda parte e sempre. sobretudo, com alicerces na inspiração e no concurso indireto. Serviço no bem do próximo, todavia, será para todos eles o veículo essencial. Contato fraterno por tomada de ligação.

*

Suportarás determinadas tarefas sacrificiais com paciência e, através daqueles que se te beneficiam do esforço, os Mensageiros da Vida Superior te estenderão apoio imprevisto.

Darás tua contribuição no trabalho espontâneo, em campanhas diversas, a favor dos necessitados, e, pelos irmãos que te cercam, oferecer-te-ão esperança e alegria.

Visitarás o doente e, utilizando o próprio doente, renovar-te-ão as idéias.

Socorrerás os menos felizes, e, por intermédio daqueles que se lhes vinculam à provação e à existência, dar-te-ão bondade e simpatia.

Ajudarás a criança desprotegida e, mobilizando quantos se lhe interessam pelo destino, descerrar-te-ão vantagens inesperadas.

Desculparás ofensas recebidas e, servindo-se dos próprios beneficiários de tua generosidade e tolerância, surpreender-te-ão com facilidades e bênçãos a te enriquecerem as horas.

*

Permaneça o tarefeiro na tarefa que lhe cabe e os emissários do Senhor encontrarão sempre meios de lhe prestarem assistência e cooperação. entretanto, eles também, os doadores da luz, sofrem, por vezes, a intromissão da hora difícil. Quando o obreiro se deixa invadir pelo desânimo, eis que os processos de intercâmbio entram em perturbação e colapso, de vez que, entorpecida a vontade, o trabalhador descamba para a inércia e a inércia, onde esteja, cerra os canais do auxílio, instalando o deserto espiritual.

Do Livro “Coragem”. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Fonte:Site Mensagem Espírita

terça-feira, 26 de março de 2013

Mensagem Espírita - Elucidações - Site da Federação Espírita Brasileira



Elucidações


“Porque não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus.” – Paulo. (2ª Epístola aos Coríntios, 4:5.)


Nós, os aprendizes da Boa Nova, quando em verdadeira comunhão com o Senhor, não podemos desconhecer a necessidade de retraimento da nossa individualidade, a fim de projetarmos para a multidão, com o proveito desejável, os ensinamentos do Mestre.
Em assuntos da vida cristã, propriamente considerada, as únicas paixões justificáveis são as de aprender, ajudar e servir, porquanto sabemos que o Cristo é o Grande Planificador das nossas realizações.
Se recordarmos que a supervisão dele age sempre em favor de quanto possamos produzir de melhor, viveremos atentos ao trabalho que nos toque, convencidos de que a sua pronunciação permanece invariável nas circunstâncias da vida.
A nossa preocupação fundamental, em qualquer parte, portanto, deve ser a da prestação de serviço em Seu Nome, compreendendo que a pregação de nós mesmos, com a propaganda dos particularismos peculiares à nossa personalidade, será a simples interferência do nosso “eu” em obras da vida eterna que se reportam ao Reino de Deus.
Escrevendo aos Coríntios, Paulo define a posição dele e dos demais apóstolos, como sendo a de servidores da comunidade por amor a Jesus. Não existe indicação mais clara das funções que nos cabem.
A chefia do Divino Mestre está sempre mais viva e a programação geral dos serviços reservados aos discípulos de todas as condições permanece estruturada em seu Evangelho de Sabedoria e de Amor.
Procuremos as bases do Cristo para não agirmos em vão.
Ajustemo-nos à consciência do Grande Renovador, a fim de não sermos tentados pelos nossos impulsos de dominação, porque, em todos os climas e situações, o companheiro da Boa Nova é convidado, chamado e constrangido a servir.


segunda-feira, 25 de março de 2013

Mensagem Espírita - Quietude interna - Site Momento Espírita




Quietude interna


No ano de 1999, na pequena comunidade italiana chamada Greve in Chianti, localizada no coração da Toscana, surgiu um movimento internacional denominado Cittá slow, cujo significado é Cidade lenta.

Trata-se de uma proposta revolucionária de desenvolvimento urbano sustentável, que busca uma solução simples para conciliar o crescimento com a qualidade de vida, problema esse vivenciado por várias comunidades.

O movimento Cittá slow propõe a melhora da qualidade de vida dos cidadãos a partir de propostas vinculadas ao meio ambiente e ao respeito às tradições culturais.

As cidades slow não são contra os avanços tecnológicos. Elas incentivam para que a modernidade e a tradição possam conviver de forma equilibrada.

É uma revolução urbana que respeita a alma.

Simples na concepção, a ideia surgiu a partir do conceito de lentidão, proposto pelo movimento slow food, que tem o foco na qualidade e integridade da alimentação.

Em 2012, treze anos depois, o projeto está presente em cerca de cento e cinquenta cidades de vinte e cinco países, inclusive em vários com culturas diferentes da europeia, como China, Estados Unidos, Nova Zelândia, Coreia do Sul e África do Sul.

Para receber o certificado de Città slow, a cidade precisa ter menos de cinquenta mil habitantes e cumprir uma série de exigências.

Entre elas, aumentar a área verde e o número de ruas para pedestres, preservar as construções históricas, diminuir o barulho e defender as tradições locais.

*   *   *

Hoje, muitos de nós manifestamos interesse em ter uma vida menos corrida e mais calma. Porém, cultivamos a ideia de que para alcançar esse objetivo, teríamos que morar em uma cidade que isso nos proporcionasse.

Quando somos acostumados a viver de modo agitado, de nada adiantará trocarmos o ritmo acelerado das grandes metrópoles por um refúgio no campo ou por uma cidade slow.

Podemos ter a oportunidade de viver em um ambiente sereno, que teoricamente nos proporcionaria calma e tranquilidade e ainda assim, nos mantermos agitados.

Por outro lado, sabemos que temos condição de nos mantermos tranquilos, por exemplo, em momentos de trânsito intenso de uma grande cidade.

É possível viver com menos agitação em qualquer lugar. A quietude interna é um estado que carregamos conosco, onde quer que estejamos.

Na verdade, o que determina como reagiremos às situações diversas é nosso ritmo interno.

Precisamos buscar formas de diminuir o desconforto que a agitação intensa do mundo moderno provoca em nossas vidas.

Procuremos nos afastar momentaneamente das atribulações, buscando a meditação e o entretenimento saudável. Esses são recursos valiosos para o reajustamento mental.

Da mesma forma que o corpo mostra os sinais de cansaço, sinalizando que o repouso é necessário, a mente também se cansa e desarmoniza.

Reservemos alguns momentos para que se refaçam nossos equipamentos mentais.

Façamos do tempo nosso aliado, examinando com cuidado como podemos proceder para que tenhamos menos fadiga e mais equilíbrio em nossos dias.



Redação do Momento Espírita, com base em entrevista de Paolo
Saturnini, criador do Movimento Città slow,
publicada no site da Ruschel & Associados.
Em 14.3.2013.